26 de julho de 2012

Let’s talk about (des)apego

Por SACHA BRASIL

"Eu não sou a doninha de ninguém"
Amelié Poulain



Hoje eu queria falar um pouco sobre desapego. Visto que não sou a pessoa mais desapegada do mundo (aliás, não sou desapegada at all), esse post, dessa forma, conta um pouco sobre os apegos que acontecem na nossa vida (ou na minha, pra ser bem mais exata).

Você pode ser apegado a um objeto (seu lápis preferido, por exemplo), a uma forma de ser, a memórias, ao seu animal de estimação. Enfim, a QUALQUER coisa. Mas sem dúvida alguma, a pior forma de apego é relacionado a pessoas. Meus amigos, apegar-se a algo é até compreensível (mas também não muito saudável). A coisa é sua mesmo, você (quase sempre) comprou. Aquilo te pertence e você sabe, você pode controlar. Você pode possuir sem medo de ser feliz. Agora se apegar a uma pessoa pode ser extremamente, digamos, perturbador.

Pessoas não são de ninguém e você não pode ser dono de uma pessoa, apesar de que, para algumas mentes doentias, isso seria totalmente aceitável (isso serve tanto para romances quanto para amizades, mas em caso amoroso, as coisas são mais complicadas). Então como se já não bastasse você querer que a pessoa seja sua e somente sua, você também acaba se apegando às coisas dela, aos momentos que viveu com ela, a tudo relacionado a ela (um carro, uma expressão, uma música, um tênis, uma blusa, umas tatuagens). E, ao mesmo tempo, tudo que é seu e que te lembra essa pessoa também gera em você um apego maior (um penteado, um batom vermelho, uma roupa, uma música, um carro, um celular, um lugar, até mesmo um sorriso).

E aí, em um determinado momento, você percebe que aquela pessoa NUNCA foi sua. Porque né... pessoas não têm donos. E aí você se vê obrigado a desapegar de tudo. Mas como desapegar de tudo isso? Como superar aquele apego louco de saber onde a pessoa está, com quem ela está, o que ela faz, se ela está falando as coisas que disse pra você pra outras pessoas, se ela está usando aquele tênis surrado que você ama, aquele relógio que você acha um charme, aquele sorriso encantador que você achava que era só para você (nobody knows it, but you’ve got a secret smile and you use it only for me. SÓ QUE NÃO)?

Como desapegar das suas próprias coisas que te lembram aquela pessoa? Isso gera um processo bastante perturbador e até enlouquecedor. Como manter sua sanidade mental? Tem gente que passa e fica marcada em você de um jeito que você nem percebe (só depois, quando tem que esquecer, né). O que você faz? Joga tudo fora? O que você faz com você mesma? Morre?

Não, cara, calma! Respira fundo que vai dar tudo certo. Depois de um tempo (para aquelas pessoas que têm a memória normal e não super trabalhada como a minha), essas coisas vão te causar, no máximo, um sorriso de canto de boca. Porque eu acho muito louco ser (muito) apegado a coisas e pior ainda ser apegado a pessoas, mas é bem normal se apegar a lembranças. Mesmo porque, depois de um tempo, o seu cérebro será preenchido com outras lembranças. E esse é o momento que seu coração pode descansar em paz, até ser perturbado por outro apego. Porque, afinal, esse é o curso natural da vida e dos corações que vivem apaixonados por aí.


Por SACHA BRASIL

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