7 de dezembro de 2011

A simples lógica da fé na vida

"A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita" 
Mário Quintana









E aí que ela negou o último dos chocolates, lembrança da viagem exótica do primo, para uma grávida. Lógico que tinha que rolar um terçol sinistro na semana seguinte, mas né... dar de lambuja o último doce da Conchichina é demais até para madres teresas de calcutás.

Acontece que eu sou uma pessoa de fé. Confesso minha religiosidade em tempos não tão remotos. Há 10 anos atrás, esse ser que vos escreve era tachado como a evangélica extremista (falar nisso, vejam isso) que não ia por nenhuma gota de alcóol na boca num agito de segundo grau, nem mandar idiotas-mor tomar no fiofó em situações dignas da apelação, muito menos curtir um sexo gostoso com alguém que estivesse realmente afim. Não, né gente? 16 anos, bora lá. Mas por mais que na época de adolescência da minha geração fosse precoce iniciar vida sexual nessa fase (not), a minha defesa era de sexo só depois do casamento.

Com o tempo eu percebi que Deus não tava muito se importando com minha energia direcionada a esses esforços. Que se eu colocasse meu sorriso pra brilhar enquanto ajudasse gente na rua ou conversasse com um amigo que precisasse de um ombro, já ia ser expressão do bem e manifestação de algo divino (me acho, né? haha). E aí, tanta coisa mudou que hoje eu tenho que me defender de ataques de falso moralismo (às vezes) e de julgamento (sempre), porque tenho amigos irmãos da minha época muito gospel que ainda pensam bem quadradinho. Ao mesmo tempo, se vier broder ateu enfiar dedo na cara e questionar paradinhas, eu me acho sinistramente capacitada pra argumentar com base bíblica, se for preciso. Afinal, eu ainda sou uma pessoa de fé. E respeito sempre foi valor supremo.

Vem ao caso que eu nunca acreditei que Deus seja do mal. Eu maior boto fé num super-mega-blaster-hadouken-todo-poderoso amigo íntimo, O companheirão. Isso vai contra a dinâmica de pecado seguido de punição e morte do velho testamento, simplesmente porque não creio que caiba castigo nessa relação. Pra que Ele ia ficar se preocupando em me vigiar só pra me culpar? Devem existir alguns milhares de motivos maiores pra ocupar quem criou o mundo, não é mesmo?

Na minha cabeça, é só uma lógica de fiz errado, ops, alguma coisa não muito certa/agradável pode vir como consequência das minhas ações. Roubei, ops, posso ser preso. Matei, ops, culpa eterna na cabeça (no mínimo). Cobicei a mulher do amigo, ops, vou perder a amizade ou ganhar um belo de um fight (nem que seja aquele olhar do arrocho "fica esperto, maluco"). Não precisava ser lei em tábuas, não precisava ser mandamento. A máxima "não seja um idiota" já era suficiente (diria 9gag). Na minha cabeça, que fique bem claro.

Se fosse pra rolar esse lance do castigo, acho que ia ser muito mais na brodagem só pra dar um cutucão de pai, sabe? Tipo ontem, que apareceu, pela terceira vez no ano, uma maldita duma espinha dentro do meu nariz. Primeiro pensamento: suvaco de coisa do capiroto. Raciocínio evoluído: na real, isso é tão do mal, mas tão de boa, que pode ser um toque divino pra eu me tocar quanto alguma coisa que eu tô fazendo torta. Talvez seja essa mania de inventar vagas em estacionamentos, de oferecer comida pra quem tá de dieta, de carregar músicas ruins no celular (que são, por si só, a própria punição). Ou talvez seja só o excesso de chocolate. Talvez.

Já o terçol, eu não sei explicar dicolé. Deve ter uma magia.

Costuma ser mais simples do que a gente pensa.
É bem por aí, mesmo.

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