3 de julho de 2011

Madrileña... un poco si, no?

"A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!"
Mário Quintana



Só não de carteirinha, porque fizeram o favor de levar até isso no furto durante a festinha de despedida. Mas whatever. Essa bagunça faltando 7 horas pra me mandar do Brasil me concedeu generosos 4 dias de estadia semi-forçada e de despedida tranquila e decente. Lets pollyanna, indigente.




Sou suspeita em cada palavra. Não poderia deixar de ser.

Mesmo que digam do stress de capital, da falta de educação no tratamento com o ser humano (de banho e bons modos do povo também), dos preços altos comparados com os das outras cidades espanholas, do sistema público de saúde que arrebenta qualquer um cobrando 120 euros numa emergência estilo hospital público do mal, dos carteiristas ninjas espalhados pela cidade, da paella mais ou menos, do clima frio de rachar bocas e fazer sentir o peso de 3 casacões nos ombros, e do sol que castiga quando quer (mas desse eu goixto).


Mesmo assim, Madrid é amor. O metrô é perfeição e tem todo o direito de estar entre as referências mundiais. O Parque do Retiro é... o retiro, literalmente. Deveria ser parada obrigatória de qualquer pessoa em passagem por Madrid. Já sinto falta das promoções de quarta dos 100 Montaditos, dos almoços nos VIPS, dos passeios no Sol, dos agitos tranquilos ou conturbados no bar da Ju (que a gente nunca vai saber o nome, rs), no La Aguja (que ficou com minha carteira de recordação¬¬), do Mi Madre era una Groupie, com ou sem gás de pimenta outside.



Saudade de ter preguiça da Tabacalera. De comer bem no Rey de Tallarines, delícia de yakissoba bem servido, ou no Oiishi Sushi supermodernidade de pratos magneticamente encaminhados, haha. Dos cinemas com cara de palácio (Cine Doré) ou de casa. De cantar parabéns pra mim no Il Piccolini de la Farfalla, de ver em cada esquina kebabs (que eu nunca tive coragem de experimentar. Nessa jaca eu não enfio meu pé!) e promoções de 6 porras por 2 euros, alegria instantânea das caminhadas matutinas.


Do chocolate quente precioso do Café Corner, de tirar a barriga da miséria no FresCo. Dos sanduichinhos minguados da Rodilla, eu quero é distância. O coração aperta é quando lembro do melhor alfajor do mundo no Nurielle, da batata brava com McDuplo, do McMenu que vale a pena de verdade. Do Dia, com o Le Petit Beure e Kit Kat, Lays verde sabor artesanal, Pringles, vinhos e carpaccios, tudo barato. Caramelo macchiato do Starbucks. Donut de bavarian cream no Dunkin Café. Coca com rum. Tequila (depois de 3) não. Dos tintos de veranos, das tortillas de batata divinas e do curry em tudo.

Saudade da CICE, escola lindinha, bem equipada e gentil no material didático. Dos casacões bombados da Zara, das blusas estilosas da H&M, das saias e vestidos da Bershka, das bijus da Six, de algumas lingeries da Intimissu. De só observar as vitrines da Desigual. De andar pelo Reina Sofia, pelo Prado. De montar quarto com produtos do Ikea, tok stok barata onde o vento faz a curva. De comprar ukulele por menos de 20 euros e jogos pra PSs em pechinchas constantes, de montar computador sinistro pela metade do preço brasileiro. Da feirinha do Rastro, da Gran Via. De ter outras cidades em até outros países logo ali, por 40 euros, ida e volta.


De passear em frente a castelo e comentar “queria morar aí não, deve dar muito trabalho para limpar” e sempre ouvir “mas, Livia, se você morasse aí, não ia ter mesmo que limpar”. De ouvir um bom músico mandando ver a qualquer passo. Das caminhadas sem rumo até não sei onde, mas chegando sempre em algum lugar guapo que merece o descanso sentada na grama, na calçada, no chão. Caiu na construção como se fosse uma bêbada, Ju. Stop this train e que vida cheia de cena de cinema, Dani. Es que no hay presente, por que ahora ya es pasado, ahora si, ahora no... pero sabes? mais vale, Jaime. De beber batido de fresa Joselihto y escuchar que cabezona es mi amiga Livinha. EQUIPO A MOLA MUCHO MAZO TRONCO. All the single ladies, o ô ô. Nazarêeeeeee ♪. E tanta coisa mais.

Saudade dos meus amigos (ou seja, de nenhum madrileño). Da minha casa estilo folk, dos compañeros de piso tão... músicos. Dos “meus” gatos, carinho e companhia de sempre. Do sol gostoso que entrava pela minha janela... que fazia do meu canto cheio de calor do Brasil. Dos ventos mágicos de cheiro neutro que passavam de vez em quando nessa mesma janela. Dos almoços em família escolhida e inventada. Das visitas, as mais acertadas e esperadas. Dos uy uy uys, vales, vengas e ains. Do que há de melhor para falar: mimosa, seguro, dá igual, hijo puta, preciosa, me cago en la boca abierta de tu puta madre violada, graciosa, bueños (que eu inventei, na alta), rollo, prometemelo, HOSTIA!




As sugestões estão aí, misturadas com as sentimentalidades todas. Eu até tentei fazer post separando o que tem para ver, para comer, para curtir.. mas sei lá. Para mim, Madrid é maior para viver. Se não rolasse a crise absurda que só desemprega há 4 anos e 97,83% do meu coração não estivesse no Brasil, eu botava muita fé de criar raízes mais profundas em solo espanhol. Madrid estaria bem cotada, juntamente com Granada e Sevilla, haha. Ok, sou facinha. Mas ó... fica a dica. ;)


Experiência e tanto... 7 meses fofuchos de vida, com altos e baixos, felizes na plenitude de pobrecita (porque não tem como morar nas Oropa sem se desapegar de muitos dinheiros). Vão ficar guardadinhos na mesma sala especial que as fases Rio e Sampa de vida liviana têm no coração. Sala essa especialmente decorada para seu maior conforto, ó lembrança altamente amável, de cidade que me faz eu.

Foi tão bom. :)
200 fotos da aventura aqui.
Coletânea de vídeos do Madrid in street concert aqui.



Agora, voltemos à programação normal.
Or not that normal, ho ho ho. \m/

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