12 de julho de 2011

Dos males irremediáveis que vêm para o maior dos bens


"Celebrate we will
Cause life is short but sweet for certain”
Dave Mathews

Eu sou alérgica à analgésicos. Poderia ser à glutén, que é mais chique de falar, ou à coca-cola, pipoca, chocolate, bacon, yogoberry, açaí, nutella ou qualquer uma dessas maravilhas que fazem a vida mais saborosa. Talvez seria mais fácil. Mas não, meu organismo não reage bem à medicina para amenizar a dor. Agora imagina quantas moléstias doloridas de verdade me assolaram sem eu poder tratar, tendo que aguentar na raça. Não, antes disso, imagina quantas vezes eu sofri crises alérgicas que me levaram às emergências dos hospitais, até descobrir que não pode tomar aas, dipirona, novalgina, tylenol e qualquer outro a base de paracetamol, ibuprofeno... É chão, menino. E se rolar ainda hoje, tudo vai começar com um super olhar sedutor de Corcunda de Notre Dame e pode terminar no soro.

Esse lance de não poder contar com dorgas, manolo, pra aliviar a cólica do inferno, a cabeça estourando, a recuperação da cirurgia, só pode ter me feito uma pessoa mais... er... sofrida, pela lógica. Mas bora ser otimista, que eu talvez seja mais resistente que vocês, ó mortais que podem usar analgésico! Se a gente não pode acabar com a dor do jeito mais simples, bora lá, suportar. O negócio comigo é assim: o que não tem remédio, remediado não estará. Ou talvez a gente dê um jeitinho com compressa, coisas alternativas que mãe tem as manhas de fazer, cházinho, cafuné e carinho. Manha é a moeda de troca.

Às vezes, basta super presença falando que vai ficar tudo bem, ou aquela força que vem do além (que pode ser entendido como internet, sms surpresa ou telefonema brinde) pra dar aquela levantada. A dor vai continuar sim, porque também né, ainda não conheci um curandeiro que sara com palavras para forçar amizade (I would, na alta). Mas sabe quando meio que parece que essas pessoas vão catando cada uma um pouquinho da sua agonia e tentando tratar com os métodos que conhecem? E aí, quando você se dá conta, esse momento de cuidado te entreteve tão bem que tcharam, psss, passou, Pequena.

Eu curto muito esse poder humano. Faz parte do ser super de gente. Lógico que eu preferia que não doesse. Sei que não depender de remédio para fazer a dor passar não me fez tão mais forte assim. Sempre fui molenga e chorona... principalmente quando dói. Mas aí, sem jeito, o maior medo da minha vida, que é morrer de alergia, vai me manter longe dos tratamentos de gente normal. E é bem por isso que eu preciso de humanidade perto. Isso aí, certeza, é remedinho dos céus.

Pode injetar amor diretamente nas minhas veeeias. Não há dor que resista a esse tratamento. Nham.

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