2 de abril de 2011

Don't stop this train

"E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita...
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos."

Quintana

O mundo continua girando por razões que fogem da capacidade de mudanças do meu livre arbítrio. Tem dias que tenho impressão que já tava tudo preparadinho dentro da geral, só esperando o momento pra se revelar num ou outro traço de personalidade, em comportamentos, em atitudes, esperando o momento, a situação, a oportunidade, a chance. Essa parada veio de fora, juntou com o que tava dentro e não vê a hora de sair e entrar em outro ser e se transformar de novo e de novo e de novo. "Não para, não para, não para não… vai, até o chão", cantaria o poeta.

Se um cisne negro birrento viesse argumentar o que realmente pensa do que eu escrevi, talvez eu tivesse paciência de ouvir cada palavra só para responder carinhosamente com minha teimosia "eu adoro que você exista, coisalinda de imprevisto, mas tem muita coisa que é mais confortável acreditar que segue um rumo só. Mesmo que no meio do caminho existam pedras, desvios, pontes, depressões, atalhos, montanhas e vales, lobos maus e árvores falantes, ele vai ser um só. É nisso que eu quero acreditar agora."

Aponta pra fé e rema... mas bota força nesses bracim, porque tem muito mar pela frente, minina.

Nenhum comentário: