19 de abril de 2011

Tatibitati que bate o coração

"I'm getting tired of starting again
Somewhere new"
Foo Fighters


Daí, caminhando pra casa, você sente o mesmo vento que rolou dois anos atrás e tem certeza que ele anuncia tempos de mudança. Significa muita coisa sim, sempre.
Em menos de um mês eu volto pra minha pátria amada. E claro, meu coração tá apertado de saudade daí e daqui já. É aquele drama de sempre, de gente que nasceu com gene peregrino de explorador do mundo (¬¬). De querer o lugar novo, de viver e se apaixonar pela parada, de fazer amigos e de querer carregar todos eles em potinhos pra onde quer que se vá. Dorzinha do criar raiz e se arrancar... Brabuletila diria que a música foi feita pra mim. Eu acredito que foi mesmo.

Que sejam tempos mágicos, o agora e o depois... é só isso que eu quero.

10 de abril de 2011

Quando quero ser colete

"Home is wherever I'm with you"
Edward Sharpe and The Magnetic Zeros

Inspirada na vontade gigantesca de dar a vida pelo ser amado e de protegê-lo de todo mal, sonhou que derretia (como quando se aplica o Melt em 3DS) pra se transformar em colete a prova de balas, no meio da balada policial.

Ele apontou a arma pros bandidos, maluco, e ó, eu virei CO-LE-TE. Increíble.


Numa versão evoluída da coisa, eu me tornaria camadas (na paleta cromática de sorvete napolitano) de muita força e ânimo. Isso diminuiria consideravelmente a preocupação diária que me assombra... E desta forma, garantiríamos a existência prolongada dos meus fios de cabelos em cores distintas do branco (de outras cores eu quero, meu beeeem).

Por ti, eu me jogo (também) ao mar.

9 de abril de 2011

A vantagem das bochechas explodidas

"Seu sorriso combina com minhas bochechas vermelhas,
Assim como minha cintura combina com as suas mãos"
Saga dos vampirim (vou te pegáaa aaah!)

Se quando a gente ficasse roxo de vergonha, nossas bochechas mudassem de cor e inchassem acompanhando a temperatura que toma conta do nosso rosto, elas explodiriam. E aí, logo na infância, a gente ia ter a bochecha explodida (porque as outras crianças são bichinhos cruéis e porque os adultos maior promovem situações de constrangimento. O mundo é cruel, mesmo) e viveríamos para sempre com dois buracos na cara.

Isso poderia ser muito gratificante (como quando os peitinhos das meninas começam a nascer e ficam lá - quase no mesmo lugar, dependendo da força da gravidade - para sempre) porque PUXA, você já passou por uma situação de vergonha extrema do ser, pode se considerar mais maduro nas experiências da vida humana. Mas aí também, precisaríamos de protetores especiais para os dentes expostos e teríamos que conviver com aquela coisa horrorosa de crânio a mostra na face. Bizarro, mas bom ao mesmo tempo...


... porque por dentro, tá todo mundo eternamente sorrindo.


=]

3 de abril de 2011

Da falta de noção em três atos

"É morena, tá tudo bem"
 Los Hermanos
 
Ato I
Em busca da segunda opinião pra dar certeza no prosseguimento da cirurgia, lá fui eu atrás de outro ortopedista. Quando vi a cara do senhor que atenderia, achei bom que fosse um rosto conhecido, mesmo que fosse do tipo que não reconhece ninguém fora do ambiente específico de conhecimento (infelizmente, alguns brasilienses têm essa mania detestável). Estava com o raio-x nas mãos, sentei-me e cruzei as pernas.

- Primeiro, sua postura tá errada.
- Mas é que... eu não vim aqui pra isso...
- Segundo, já tô vendo que você não se exercita.
- Me exercito sim... Vai fazer 6 meses que estou na academia.
- Ah, então você nunca deve ter feito natação.
- Já fiz sim, por quase 3 anos da minha vida.
- Ah, então você é mirradinha assim naturalmente. Deve ser biotipo.
O.o

Até aqui basta pra nosso estudo de caso. Eu só consegui mostrar meu cisto no punho depois de uma discussão básica, disse que a cirurgia tava marcada e só queria ter certeza que precisava dela. Ele ainda teve coragem de mandar "ah, faz aqui com a gente!", seguido de sorriso de propaganda. Claro que depois de MIRRADINHA, sem chances de negociação.

Sair rolando você num quer não, né, dotô Bolotinha da Estrela?


Ato II
Momento de desespero em busca de professor particular de espanhol. Ligo pra uma das indicações:

- Por favor, a dona Indicada.
- Quem é? - respondeu a velhinha com sotaque de espanhol do Paraguai. Quer dizer, uruguaio, cof cof.
- A Livia.
- Mas quem é a Livia?
- Eu, ué.
- Ah tá. E o que você quer comigo?

Depois de explicar a situação toda, tive que marcar um dia de encontro "porque é muito importante a gente se conhecer antes de fechar negócio". Como já tinha sentido certo nível de insanidade, marquei numa praça de alimentação de shopping. Vai que, né?

- Então, eu preciso aprender espanhol em 1 mês, pra chegar lá falando...
- Mas isso é impossível.
- Mas o máximo que for possível aprender, é isso que eu quero.
- De que signo você é?
- Capricórnio.
- E seu ascendente?
- Não faço ideia. Mas o que isso tem a ver?
- Porque se você é de capricórnio com ascedente em gêmeos, vai ser mais fácil aprender. Se não, vai ser mais difícil.
- É? Mas eu acho que eu tenho facilidade de aprendizado normalmente.
- É, mas eu não tenho como saber. Que horas você nasceu?
- Não sei.
- Tem como você ligar pra sua mãe e perguntar?
- Sério?
- É que eu sou astróloga também. Eu preciso fazer seu mapa astral pra ver se essas aulas vão dar certo.
- Tá bom, espera um pouco... (super entrando na onda da maluca, discando pra mamãe)
- Eu acho que você tem algum signo de ar como ascendente.
- É, por que?
- Porque esguia do peitão como você é, postura de passarinho com o peito aberto é coisa de gêmeos
- (O.o) Mãe... você lembra que horas eu nasci?
...
- Então, eu vou fazer seu mapa astral e se você tiver interesse nas aulas me liga. Mas se não, nem me liga pra dizer que não quer. Não me liga, entendeu?

Não, eu não liguei. Fiquei curiosa pelo mapa, mas depois do ESGUIA DOS PEITÃO, achei melhor deixar pra lá. Fora que depender dos astros pra aprender a falar espanhol também é dose.

Véia doida.


Ato III
No barzinho madrileño, com mais um monte de amigos. Chega o argentino, no momento que geral sai para fumar (desde o começo do ano em Madrid, é proibido fumar em ambientes fechados. A cidade está zero preparada pra isso e agora eu enfrento alguns momentos rápidos de solidão quando saio de galera), e se aproxima da lesada sozinha na mesa, toda nerd jogando no celular:

- Nunca antes en mi vida habia contemplado tanta hermosura. (Por muito pouco ele não fala como o Buzz. Se dançasse igual, ganhava estrelinha na testa, ho ho ho)
- Gracias!
- De donde eres?
- Brasil.
- Ah!

Pela cara, o bicho tinha tido a super ideia genial. Correu até o amigo e voltou:

- Você es una gostosa.
- (O.o) Gracias... pero sabes que eso no es algo bueno de decir a chicas que no conoces? Si, no?
- Por que?
- Vete. Adiós.

Ok que comparado a mirradinha e esguia dos peitão, ser chamada de gostosa é tipo GO POKÉMON de evolução. Mas tipos, te conheço? Tá pensando que é bagunçado assim? E oxi, sai.


 
(O.o)(o.O)
Minha análise dessa bagaceira toda é que eu sou muito sensível a constatações nonsenses de gente estranha em relação a minha aparência. Não é que nunca vai estar bom... Na real, eu tive o azar de esbarrar com figurinhas loucas que não tinham ideia do perigo do meu olhar fulminante, inspirado na minha revolta interna. Respeito é bom, e eu sei dar até quando escuto declarações infelizes como essas. Então, seus sem noção da poxa, vão se lascar.

Por essas e outras, queria que a parte do meu cérebro responsável por respostas perfeitas a afrontas em geral funcionasse prontamente diante de ameaças. Mas se não tem como, acho que só essa cara aí já basta, NÉ NÃO?




*____*




Tenho que fazer minha tortuga em 3d, mas tava com mais saudade de escrever aqui do que de modelar (novidade ¬¬). Na próxima pausa, começo a série das teorias livianas. Aguarde e confie!

Un descansillo y ahora volvemos.

2 de abril de 2011

Don't stop this train

"E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita...
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos."

Quintana

O mundo continua girando por razões que fogem da capacidade de mudanças do meu livre arbítrio. Tem dias que tenho impressão que já tava tudo preparadinho dentro da geral, só esperando o momento pra se revelar num ou outro traço de personalidade, em comportamentos, em atitudes, esperando o momento, a situação, a oportunidade, a chance. Essa parada veio de fora, juntou com o que tava dentro e não vê a hora de sair e entrar em outro ser e se transformar de novo e de novo e de novo. "Não para, não para, não para não… vai, até o chão", cantaria o poeta.

Se um cisne negro birrento viesse argumentar o que realmente pensa do que eu escrevi, talvez eu tivesse paciência de ouvir cada palavra só para responder carinhosamente com minha teimosia "eu adoro que você exista, coisalinda de imprevisto, mas tem muita coisa que é mais confortável acreditar que segue um rumo só. Mesmo que no meio do caminho existam pedras, desvios, pontes, depressões, atalhos, montanhas e vales, lobos maus e árvores falantes, ele vai ser um só. É nisso que eu quero acreditar agora."

Aponta pra fé e rema... mas bota força nesses bracim, porque tem muito mar pela frente, minina.