22 de fevereiro de 2011

O mimo nosso de cada dia nos dai hoje

"What else could I write?
I don't have the right."

Nirvana


Abro a porta do quarto, que sempre tenho tanto cuidado pra fechar direitinho antes de sair de casa, e lá está ela sobre minha cama.

- Oi? Qual foi a mágica da vez que te trouxe aqui, dona Ule?

Ela só vira a cabecinha de fofa e eu capto a mensagem que ainda me faltam conhecimentos muito específicos pra entender o funcionamento do teletransporte felino.


O novo companheiro de piso chegou trazendo a alegria das minhas roomies. Jango, o gato de estimação de Pájaro, é pura simpatia e forçação de amizade com as meninas. É líndíssimo, tem o pêlo amarelado e os olhos esverdeados, lembra o Garfield esbelto-shape. Todas as branquinhas de olhos azuis deveriam se derreter, mas preferiram esnobar antes. Coisa de gata, sabe? Na hora que o vi, encantada declarei que entraria na batalha por atenção da novidade. A síndrome de Felícia tomou conta do meu ser, deixei que emanasse por meus braços cheios de apego exagerado (it means: "vou te abraçar até sair SUAS TRIIIPA!") e agora eis-me aqui, sem carinho do gato assustado.

Como os seres humanos da casa tomaram chá de invisibilidade nos últimos dias, nada mais natural do que eu virar Branca de Neve oficial do esquema. Hoje, em especial, o mimo foi tão mega blaster hadouken que precisava escrever. Foi só passar cinco minutos em casa que os bichanos sairam de todos os cantos, para cercar e acompanhar cada passo liviano (se eu canto então, as palomas arrebentam minha janela - ou as vizinhas mal-comidas ains cariñas ¬¬, meu chão).


Eu sei que não deveria me envolver muito com esse tipo de amizade, porque uma quase cegueira do passado pode ter rolado por proximidade de queridos como esses. Entretanto, algo aqui dentro (tipo no meu olho minhoquento de Noiva Cadáver) me diz que o mesmo protozoário não invade 3 vezes a mesma azarada. Já foram 2, tô imune. (Mãe, acredite nestes argumentos). Entonces, podem me mimar, miguxas.


Hila e Ule sempre correm pro meu colo enquanto tomo sol de siesta (em buenos días, tenho 2 horas de Brasil no meu quarto), Bizcocha e Izana vêm se esfregar no meu pé enquanto estou na cozinha (interesse? nah, magina) e deixam umas belezuras de rastros de pêlos em todas minhas meias. Jango apenas observa de longe... ele tem ideia do quanto quero ser a melhor amiga entre todas elas, por isso tem tanto medo.


Ou não, né? A gente não consegue saber o que outra gente pensa, imagina entender cabeça de gato.


Mais das chiquitas aqui, no blog do paizão Toño, the captain.

12 de fevereiro de 2011

E apaga a luz


"Where can you run to escape from yourself?
Where you gonna go? Where you gonna go?"
Switchfoot

Que medo eu tenho desse gato que não para de balançar o braço nem quando a loja do chino fecha. Agonia de seres em movimento enquanto tudo dorme. Angústia pensar que existem coisas que não vão se cansar nunca. Enquanto houver bateria, lá estará o movimento insistente... Ei, paradinha! Dá um tempo?

Estou num quarto escuro e não vou acender a luz. Quero que a luminosidade da noite chegue aqui e me ilumine. Ou o que tenho dentro seja brilhante o suficiente pra me fazer enxergar as coisas. E iluminar outros inquietos, que seja.

Tenho uma história para a nova superprodução (¬¬) liviana 2011. Estou apaixonada por ela. Foi feita na escuridão daqueles momentos que se juntam chateações com saudade, com nostalgia, com dor, com tristeza, com (muitas) vontades. E com alívio, acima de tudo.

Let it go.
Às memórias.