29 de janeiro de 2010

Sobre compromissos de gente

"Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos..."


Deixemos de lado toda a história ridícula sobre guerra dos sexos, sobre papéis definidos para cada gênero pelo instinto, sobre a influência que hormônios diferentes têm sobre seres humanos. Falemos de personalidades, de indivíduo, de gente diversa, única, com livre arbítrio e com um superpoder comum, o de escolha.

Cansei de ler muita babaquice internética sendo disseminada como realidade mundial e venho fazer meu protesto. Assim como traição não é coisa de macho (não é bonito pra geral e não é nem um pouquinho certo em sociedades monogâmicas), casamento não é um rito feminino, no qual homens são meros detalhes complementos de festa. Eu sei que gente normalmente vem com preconceitos embutidos (idiotas, mas com justificativas sempre) e não é muito difícil deixar que alguns valores distorcidos façam parte do nosso pensamento programado "pelo comportamento social homogêneo". Bla, bla, bla. Digo por mim, e imagino que você saberá expor os seus se for questionado (difícil existir alguém livre do tipo de pensamento mau que discrimina... importante é não transformar em comportamento, né?). Mas vamos tentar refletir colocando homens e mulheres no mesmo patamar, como pessoas que têm sentimentos, se atraem, se envolvem e (se) amam.

Pode me chamar de romântica, de iludida, de sortuda... mas acredito que é humano se apaixonar E se comprometer. Prefiro não considerar a existência de um povo que começa namoro ou casamento planejando data pro fim. A proposta pode ser para os próximos meses e/ou ter intenção de ser para a vida inteira, whatever: a vontade de estar perto e ter uma companhia qualificada fixa é um desejo de gente, não só de meninas e príncipes encantados. Não entendo a macheza da negativa de "até falar" sobre casar, bem como não entendo o urgência louca pelo "véu e grinalda". A palavra 'casamento' pesa muita paciência, disposição e dinheiros, mas na real a tal da união é pra ser leve, coisa de coração e momento, mesmo. Me irrita o desespero de ambos os lados, por razões completamente opostas. E nem vem, que isso é posição que você toma enquanto pessoa, não como homem ou mulher. Tenho amigos fissurados pelo momento e amigas que vão adiar o quanto for possível. Não os considero aberrações...

E, sei lá, no final disso tudo, o que eu quero dizer é que não há proveito em estar aliançado com alguém só pelo compromisso social. Ele não é um fim. É pra ser um dos meios de se manter bem acompanhado formalmente, se desejar. Se não rolar, independente da idade ou do tempo de relacionamento, não é para ser encarado como livramento ou sofrimento. É um alguém seu, exclusivo (tipo best friend with benefits), que você ame, ao seu lado que você quer? Não precisa assinar papel nenhum. Para mim, no pacote da proposta do compromisso sério (seja pegação fixa ou namoro eterno) vêm incluído os benefícios de fidelidade e companheirismo... de outra forma, é qualquer outra coisa sem respeito pelo sentimento do outro (por isso que acho tão imorais todas as traições embaladas por trilha sonora romântica na novela das 8. Disgusting!). Longe de ser um contrato ou convenção social, se não há disposição de honrar e respeitar, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza (e toda aquela balela), independente da formalização dos laços que unem e do nível de envolvimento/intimidade da relação, não é um compromisso sério.

E na real, se você já tem um alguém querido que quer tão próximo constantemente, com quem deseja estar comprometido, você já tirou a sorte grande. Respira fundo... maybe, it's happiness.

"Deixa em paz a mim!
Se me queres, enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda... "
Mário Quintana

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