15 de dezembro de 2010

De primeira, hein?

"Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração."
Carlos Drummond de Andrade





Sempre me incomodaram muito as afetações que passagens pela Europa e EUA (independente da finalidade) causam em alguns brasileiros. Infelizmente, é mais fácil ter que suportar papos pós-viagens que diminuem a nossa pátria mãe gentil, colocando o tal do "primeiro mundo" no altar, do que ouvir alguma declaração que a coloque acima do chinelo, no mínimo. Não, não vou me atrever a discutir e comparar as coisas, porque renderia alguns muitos parágrafos muito bem argumentados para não ter que encarar ataques de galeras armadas, prontas pra briga. Ok que aqui as coisas sejam mais bem estruturadas, o transporte público funcione, os impostos sejam mais baixos, alguns lugares tenham a beleza que os nossos não têm (o que não exclui, de forma NINHUMA, a existência da nossa em abundância, certo?), o ensino seja de altíssima qualidade, meu parque de corrida tenha um visual mais cinematográfico e tal... Mas sem esse papo de que toda superioridade em todo aspecto pertence aos de fora. Que mania de colonizado eterno. ¬¬


Aqui os motoristas param, de fato, ao primeiro sinal de alguém para atravessar a faixa. Não é grande coisa para quem vive em Brasília (aí eu tiro onda meixmo), mas com certeza é impressionante ver que existe uma vontade real de fazê-lo. Isso é diferente... porque nego para achando bom. Uou, que fantástico! O encantamento dura até que você descubra que existe uma multa tão super-hiper-mega-ultra-blaster-hadouken-alta que ninguém nem ousa não parar e (atenção para o detalhe básico:) se você atropela alguém na faixa, a "vítima" é que recebe a grana. Justo? Hum, para e pensa. Que tal "vou tirar uns euros ali na faixa"? Como no? Jeitinho brasileiro? Naaah, jeitinho de gente. Coisa que acontece na minha nova esquina.

Puliça chegou e a dona esperta se levantou da queda típica de novela das 7 da Globo de 3 anos atrás (hoje em dia já tá melhor, né?). O taxista já tinha sacado tudo e talvez os caras da lei (que usam uniforme quase tão estiloso quanto da PF) tenham reconhecido a treta. Nenhum ferido, nenhum acidente real... alguém infeliz. Talvez a conta de alguém mais gorda no fim do mês, ou não. Vai saber.

"Primeiro mundo", minha gente. Não posso afirmar que esse tipo de coisa não aconteceria no Brasil, porque... né? Tem gente de primeira a última categoria em qualquer lugar do planeta.

Outro dia, o colombiano (que não me parece mala gente) insistiu para que eu me tornasse amiga de um amigo dele, porque o cara era rico e podia me ajudar a "viver nesse país tão caro". Eu fiquei ofendida pela falta de respeito aos meus padrões (cá para nós, altíssimos) de seleção de amigos, respirei fundo e pensei: deixa quieto, eu não sei como as coisas funcionam no país do colega, nem até onde isso que entendo como caráter duvidoso o ajuda a vencer na vida (ou até quando). Não mandei enfiar a poxa do dinheiro em lugar nenhum, não fui antipática com o endinheirado, mas fiz questão de deixar claro com meu olhar fulminante e voz baixa (para ser mais assustadora, claro;) "dá igual para mi". Sou phyna.

Enquanto eu escrevia esse post, o francês entrou na sala só de casaquinho com um penteado de Xuxa anos 80 só para mandar o chileno fazer uma música mais agradável pra embalar o sono dele "isso que você tá tocando tá insuportável, tá horrível". Não tava para mim, sentada ao lado. Para quem gosta de fazer de assuntos interpessoais guerras internacionais, taí um prato cheio. Eu prefiro não brincar disso.

Não acredito que consiga ser a melhor das juízas ao definir o que no universo é superior em tudo. Não acredito que essa pessoa exista. Acho muitas das análises que escuto precipitadas e um pouco idiotas. As coisas no mundo são, acima de tudo, diferentes. O que tá fora do Brasil pode ser bom pra baralho em muitos pontos, mas a gente ganha em outros... E tenho que conhecer o mundo inteiro ainda pra colocar algum lugar no topo. Aí é chão, menino. Mesmo quando conseguir essa façanha, vou espalhar meu julgamento e ele ainda não será verdade universal (pena, rs).


Sem essa de "Aaaah, Madrid/Paris/NYC/Conchichina é o melhor lugar do mundo...". Se algo em mim algum dia soar afetado, favor me esbofetear. Grata.




PS1: Só um exemplo do que a gente faz melhor em qualquer lugar da galáxia :)




Este vídeo foi produzido no meu agito de Bienvenida na casa nova. Haviam 6 brasileiros nessa festa... era meio que obrigação rolar sambinha.

PS2: As fotos são da minha nova área de atletismo. Porque eu sou si-nix-tra e corro no frio meixmo (essa foi pra Ju-loca-da-corrida ficar orgulhosa!).

PS3: Tem mais vídeos de Madrid in street concert aqui. Gravei um trio que toca harpa de mesa (não sei qual o nome do instrumento) e celo que é coisa de louco. Merece olhadela!

:*

8 de dezembro de 2010

O que (se) faz sentido agora

"Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira"

Gonzaguinha

Posso parecer precipitada, mas já tirei algumas conclusões do novo mundo liviano. Confira:

O que é bem diferente...
- A acetona é cheirosa.
- Os churros não têm recheio e são chamados de porras.
- A água da torneira é potável (seu psico vai resistir por dias a tomar sem fazer seu bucho sentir algum mal-estar, mas logo você desencana. Tenha poder sobre sua mente que seu corpo aguenta!).
- Para fazer as unhas das mãos, o mínimo que se paga é 5 euros (láaa onde o vento faz a curva, só pintar e lixar) e a média comum é de 30 euros (!!!). Para compensar, nos cabelereiros você pode pagar pra modelar ou cortar seu pelo por 10 euros no Marco Aldany, o Metarmofose/Werner daqui.
- As mulheres andam muito maquiadas (os olhos sempre marcados com delineador e rímel) e ostentam penteados bem esquisitos. Aqui, são elas que chegam chegando nos caras.
- Os galanteios pedreiros são algo tipo dois beijinhos no ar, como se a moça fosse uma cabrita, vaca ou qualquer coisa do curral dele (só pode ¬¬). Os menos da roça mandam um "uh lá lá" ou buzinam. Ou seja, tamo bem de pedreiragem.
- Talvez meu hairstyle tenha ajudado (RS), mas acho que madrileños não fazem pouco caso de estrangeiros... pelo contrário, são até bem receptivos. Só não inventa de mandar um "do you speak English?" numa vendinha, que aí vão te olhar torto mesmo e, caso they do, vão desaprender na hora só por indisposição. Tentar o espanhol me parece sempre uma boa ideia (até com chinos).
- As roupas são baratas. Fácil achar blusinhas por menos de 10 euros na Zara, H&M, C&A. A FNAC também é um arraso de preços mais acessíveis que os nossos (pero no mucho).
- Botas lindíssimas são mais baratas que Converses.
- O McDonalds tem 2 tipos de batatas fritas e o Burger King tem até maçã cortadinha como batata.
- As bananas são caras e todo mundo tem que por luvinha de plástico pra mexer nas frutas. Eu me atrevi a fazer diferente e fui fulminada pelo olhar de uma senhorinha (pra nunca maix).
- Pedintes ficam na porta do supermercado, de pé, bem vestidos, agasalhados, sorridentes e tals. Sim, pe-din-tes.
- As maiores ofensas são "me cago en tus muertos" e na "concha de tu madre". "Mierda" e "joder" são boas palavras pra manter no vocabulário também. X)
- Virtualmente, o hahaha é jajaja, jejejejeje, jijiji.
- Falam "vale" para tudo e "venga" até antes de se despedir. Nonsense, mas funciona assim.
 - Sem calefação não há vida... aquecida.
- Quem traz presente no Natal são os Três Reis Magos, não o Papai Noel (isso faz tão mais sentido pra mim).

Parece igual...
- O espanhol continua sendo a língua mais engraçada que rola (e ganha, cada dia mais, meu respeito e admiração).
- Piriguetes não sentem nem frio de grau Celsius negativos. Oi? O.o
- Existem brasileiros preguiçosos em todo o mundo. Sabe aquele tipo que vive há mais de 2 anos atendendo gente em Madrid e não sabem pronunciar um "¡Hola! ¿Qué Tal?" direito? Então.
- Orientais dominam a pirataria, o inglês domina nas músicas que passam nas rádios e eu domino o 3D... gealous, NOT YET.

O curso tá pesadíssimo e eu virei nerd de ir quase todo dia pra escola, no horário que não tem aula, pra fazer tarefas (é, UnB, você foi moleza perto disso aqui). Tive que me render ao PC, porque meus amados MACs não dão conta de computação gráfica direito. Quer dizer... dão sim, mas eu teria que gastar o triplo, no mínimo, pra fazer algo cabulosíssimo com eles. Logo, troca feita, com peso no coração e não no bolso.

Nevou só um pouquinho e eu virei a criança mais feliz do mundo quando senti os floquinhos caindo em mim. Tipo I'm siiiinging in the snooooow. Aaaah, laissez-moi! Quando nevar na real, eu posto vídeo de ambientes brancos como nos filmes.



Minha casa é uma lindeza. Meu quarto é grande e cabe uns 5 amigos espalhados por colchões no chão, caso estejam planejando caravana aí. ;) Além disso, o melhor alfajor do mundo está na esquina da minha rua e não há mau humor (por frio ou saudade) que resista a guloseima. Hogar, dulce hogar. VENGA!

Sinto falta de colocar havaianas e tomar sol deitada na rede, depois do almoço de arroz e feijão (que não são comuns por aqui) da minha mãe. E de andar com roupas leves, usar meus vestidos e sair de casa com menos de 3 camadas de pano. De ganhar dinheiro no fim do mês. De trabalhar não :D.
De rostinhos familiares e de abraços amáveis sim... y mucho.

Então é Natal, ho ho ho.
Contando os dias.

22 de novembro de 2010

Madrileña, pero no mucho

"Y va liviano mi corazón gitano
Que solo entiende de latir a contramano
No intentes amarrarme ni dominarme
Yo soy quien elige como equivocarme"
Shakira
 
Apenas 2 semanas vivendo em um dos pedacinhos fantásticos do velho mundo, mas muitas percepções e esperanças. Madrid é lindíssima, cheia de prédios antigos estilosíssimos, gente bem vestida (eu diria que bem empacotadinhas em seus casacos glamurosos se todos tivessem bom senso, mas... né?), gente de tudo quanto é parte do mundo, numa mistureba de sotaques em uma língua de fala apressada e engraçada (sempre) que ainda requere uma dose de interpretação extra para estrangeiros (ainda acho que o lance é se fingir de espanhola e tentar hablar como ellas).

A minha escuela é uma graça. Toda charmosa, com detalhes em rosa chock, laboratórios bem equipados e professores cabulosos de fodásticos em 3D e animação. A turma deve ter uns 20 neguim, 5 deles brasileiros (contando comigo), 3 ou 4 chicas e, claro, só nerd. Aí você vai dizer "mas também né, Livia, você inventa de fazer mestrado em animação 3D e ainda espera não encontrar freaks nessas parada?". Ok, fato... só não tinha concebido a ideia até constatar que estou cercada deles e, mas do que isso, faço parte do grupo. Tô na moda, né? ¬¬

A náite é bem agitada, cheia de barzinhos/inferninhos com variados bgs musicais. As comidas (na maior parte dos lugares "pagáveis") podem até brilhar de tanta gordura. E haja fome em mim! O frio me deixa mais faminta (se é que isso é possível)! Dá pra comer chocolate (sempre muito bom e daquele tipo mais grossinho, que minha mãe faz com leite condensado, creme de leite e maizena... nice!) con porras (que, calma, é aquela massinha do churro, sem preenchimento. A invenção do recheio acho que é coisa brasileña, si? Aqui eles comem churro de chocolate, mas é tipo uma camada de chocolate sobre a parada) em toda esquina. E melhor que isso, dá pra achar muamba/comida/bebida/desbloqueio de celular escondido/stuff em lojas de chineses, espalhadas em praticamente todas as ruas. Se há um chino por perto, não há o que temer... nada te faltará!

O metrô é incrível! Eu fico encantada toda vez que pego o mapa para descobrir como chegarei a qualquer lugar. E tem de tudo quanto é artista que SE ACHA músico around. Eles tocam violão, violino, teclado, ou botam o playback de qualquer clássico norte americano (all by myseeeeelf style) para mandar ver na voz. Isso rola nas estações, dentro dos trens e no meio da rua...

Gravei essa preciosidade no Rastro, uma feirinha de domingo em La Latina:



E esse  [UPDATE] japonês chinês [/UPDATE] numa rua do centro, próxima a Gran Vía:



E mais essa da caixinha de música. Eu sei que ela "faz" tanta música quanto DJs (bullshit), mas achei uma graça (e nesse vídeo tem bônus de apresentação da trupe brasileira-madrileña):



Como não gosto nem um pouco dessas coisas (aham, NOT), comecei a postar no meu canal do Youtube a série Madrid in street concert. Vou colocar o que vejo e ouço de mais interessante por aqui. Quem quiser, acompanhe.

O sol brilha todo lindão, o céu é de um azul que se compara ao de Brasília (a seca também), chove pouco... mas o frio é sempre exagerado. Eu sei que gostar muito de praia e sol do nordeste brasileiro, neste momento, não é um ponto positivo. Mas cara, acho que anyways é difícil para seres de países tropicais se acostumarem com temperaturas tão baixas. Em compensação, coisalindadedeos os casacões serem baratos (se comparados com os do Brasil) e a calefação existir em todo cantinho. Melhor que isso, só meu cobertor natural de Leopoldo.

Daí moradia: rolam os pisos compartidos, que são apartamentos divididos, esquemão pra quem está aqui para morar por um período menor e não quer se comprometer com contratos extensos, que imagino que sejam mais complicados de fazer do que no Rio (minhas antigas roomies "cariocas" sabem bem do que eu estou falando de busca de apartamento para estudantes "que podem ser modelos, que podem ser prostitutas"). Devo ter ligado para uns 40 números, visitado uns 15 quartos e conhecido uns 20 malucos, no mínimo.

E véi... só tem maluco. Da senhora que respira forte que me atende com um chiclete do lado de fora da boca (oié beibes, isso é sério) e fica falando e o chiclete acompanhando o abrir e fechar dos lábios (si-nix-tra) à casa das senhorinhas de pijamas, com caras de doidas típicas de filme do Borat, que anunciavam um quarto gigante, com cama de casal, sofá, guarda roupa, TV e (atenção:) santinhos por todos os lados (detalhe: eu tenho medo de entrar em igrejas cheia deles, sejam desenhados, em vitrais ou ícones mesmo). E elas vêm: HAY REGLAS: NO HOMBRES, NO VISITAS, NO RUIDO. Ok, besos, locas.

Por essas e outras, tô num albergue ainda, até o fim desta semana. Achei uma habitacion guay (tô um arraso no espanhol, né?), espaçosa e lindinha, e vou morar com chicos e chicas meio músicos, meio designers, pero profissionais. Acho que vai ser massa.

Tô com cabelo madrileño já, me virando bem na língua (meu objetivo é não ouvir o "obrigada" que quer dizer "reconheci sua brasilidade" depois de fazer uma compra), fiz alguns amigos que não me deixaram (e nem me deixarão) sem teto ou abraços ou agitos e, cof cof, conheci a Shakira pessoalmente (Samina mina ¡eh! ¡eh! waka waka ¡eh! ¡eh!). Animada com o curso, com a cidade, com as possibilidades de viagens pela Europa e de trabalhos mais criativos em animação na minha vida. Apesar de fria pra baralho, a cidade me recebe bem e toda bonita (rola até água com meu nome adaptado, hahaha #egocêntricafeelings)

Sinto saudade de mi novio, da família, dos colegas de trabalho e dos amigos... e vontade de receber visitas logo e montar um portfólio decente em 3D.

Os próximos posts vão ser mais leves, prometo. Eu precisava fazer resumão para quem me cobra novidades... Entonces, ei-las! Logo volto com textos em pílulas de paradas legais, como me gusta más. Por enquanto é isso tudo aí. [Tem mais fotos no meu facebook, okie?]

¡Hasta luego!

14 de novembro de 2010

A sombra no meio do caminho

"Esta vida é uma estranha hospedaria,
De onde se parte quase sempre às tontas,
Pois nunca as nossas malas estão prontas,
E a nossa conta nunca está em dia."
Quintana


A formiga de mochila viajou até a sombra na pedra seguinte e comentou com alguns dos outros peregrinos sobre como a vida estava complicada nos últimos dias. Não sabia explicar se era por conta do clima, da falta de comida e água, das distâncias que tinha que percorrer, das sandálias gastas, da quantidade de trabalho, de todo suor, de todo esforço.

Poderiam ser tantas as causas, mas talvez só fosse uma. Ela não saberia dizer o que exatamente.

Respirou fundo e sentou-se para descansar. Não estava triste por dificuldade alguma. Naquele momento, só conseguiu agradecer com sinceridade pelo lugar à sombra.

1 de outubro de 2010

Bazar da dona Filó

"I'm leaving on a jetplane
Don't know when I'll be back again"
Janis Joplin


Então, meu povo, estou indo embora dessa Brasila once again (mas permaneço eterna), só que nesse último ano inventei de montar casinha e comprar móveis e tal. Daí teremos um saldão ixperto para quem curte seminovos superconservados e em perfeito funcionamento.

Vejam, divulguem e comprem!


Geladeira

Electrolux
RE 28 Super, 240L, 220V
Lindona, toda zerada.
Compare o preço aqui e aqui.
Tempo de uso: 1 ano.
Por apenas: R$ 500


Fogão

Linha Alecrim, 4 bocas, Consul, CF450-2640, 220V
Ótimo pra tudo. O forno é uma beleza também!
Compare o preço aqui.
Tempo de uso: 1 ano.
De brinde: o botijão (mentira, eu inclui no preço mesmo).
Por apenas: R$ 350






Teclado Roland EM-JR

Com fonte, suporte, pedaleira e bag.
Compare o preço aqui.
Tempo de uso: poxa, muito tempo... chega dói o coração de colocar ele pra jogo. Comprado em 2003, mas tudo funciona muito bem ainda.
Por apenas: R$ 500

 
Forno Microondas VENDIDO


Facilite Middi
25 litros CMS30, da Consul
O único perhaps é a voltagem, que é de 110V (mas qualquer um dá conta de comprar um adaptador na esquina, né?).
Tempo de uso: 3 dias (acontece que eu só usei fogão e ele ficou encostado num canto).
Por apenas: R$ 200





Guarda roupa VENDIDO

Guarda Roupa Rubi 2 portas de correr Branco/Branco/Maple - Móveis Europa
Cabe toda a sua vida de roupas (se ela for do tamanho da minha).
Compare o preço aqui.
Tempo de uso: 1 ano.
Por apenas: R$ 650












Cama de casal VENDIDA




Simbal
Super confortável.
Compare o preço aqui e aqui.
Tempo de uso: 1 ano.
Por apenas: R$300





Escrivaninha VENDIDA
 
Escrivaninha Mango High Tok Stok
Ela é puro charme e estilo. É a peça que eu mais curto na casa.
Compare o preço aqui.
Tempo de uso: 6 meses.
Por apenas: R$ 480






Cavaquinho VENDIDO



 

De estudante, não tem marca, mas dá para tirar um som maroto (¬¬).
Comprei por R$ 110 há 2 anos atrás, usei nos 3 últimos meses.
Preço: R$ 50


Puffs VENDIDOS




3 por R$ 150
2 quadrados (daqueles que aguentam gente em cima mesmo): um rosa e outro roxo + 1 gigante preto, super confortável, cabe duas pessoas até (bem juntinhas, abraçadas, assistindo filme :).


Para comprar, me telefonem no 8167-1881 ou mandem e-mail para livia.holanda@gmail.com. {UPDATE}: Para comprar, liguem 3301-7421, tratar com dona Margarete (minha mãezinha).

Se possível, encaminhem pros miguxos e outros potenciais compradores.


Obrigada!
Beijos.

20 de agosto de 2010

Malhou daquela vez como se fosse a última


"Sentou pra descansar como se fosse um pássaro"
tio Chico

Meu último semestre foi tão geração saúde que me rendeu pérolas que vão permanecer inesquecíveis no meu corazón. Esclareço, antes de tudo, que não sou uma pessoa preguiçosa e o ispríto do sedentarismo não costuma se apossar de meu corpo. Adoro remar, subir em tecido, correr... Só não sou muito amiga de academias.

Acho chato ir num lugar que as pessoas se exercitam que nem rato em laboratório. E não tem como, se quiser participar daquele grupo super saudável, you must virar ratinho também. Não gosto da dinâmica que a coisa acontece e odeio, em especial, o clima de guerra (mais comum em baladas) que toma conta do ambiente em determinados horários. It sucks. Faz as minas aparecerem com quilos de maquiagem e penteado (e até óculos escuros na cabeça, believe me!) e os minos virarem os stalkers mais nojentos da vida, aqueles que te engolem com os olhos e esperam que você rebata os olhares 43 "ui, tenho músculos, olhe pra mim".

Daí já viu, né? Minha tendência em ambientes hostis como esse é agradecer a Deus pela existência de música portátil no mundo e seguir o ritmo da coisa, fechada no meu mundinho. É um comportamento autista, antissocial... mas se tornou a única forma de suportar a bagaceira que rola em volta. Até aí, ok... Quando você PRECISA tirar os fones do ouvido que a parada fica tensa:

- Poxa, mas gay eu até suporto. Lésbica que é tudo barraqueira.
- Ah, é mesmo, tudo ciumenta, arranja confusão por qualquer coisinha.
- É, por isso que eu nunca suportei lésbicas. Ô povo nojento!
 Não, eu não precisava me intrometer na conversa. Bastou uma olhadela (do tipo fulminante mesmo, não tô nem aí) pra elas se tocarem que o papo não tava num tom legal.
- Eita, e se ela for lésbica? - cochichou uma.
- Ô, você me desculpa...

¬¬

- E seu cabelo? É rosa assim mesmo?
- Sim, nasci assim. É natural.
- Mas menina, você é muito doida.

¬¬

- Eu não voto na Dilma porque ela é sapata.
- É verdade, muito mulher macho mesmo.
Dessa vez a garota propaganda não mereceu nem o olhar. Sai pra não ter que ouvir como justificariam os outros votos. Como se não bastasse, no mesmo dia, o instrutor se despede:
- Nossa, tá tão bonita. Nem parece você.

o.O
E no CU? Vocês querem alguma coisa?

Decidi não insistir mais. Entrava e saia correndo, acordava mais cedo pra não ter que ouvir o papo preconceituoso do banheiro. Que difícil ter que frequentar essa parada. Ah, fala sério... eu tô pagando por isso?

A-deus.
 
Hoje foi meu último dia. Resolvi aproveitar ao máximo o espaço físico daquela poxa e brinquei em todas as máquinas que me proporcionaram bons momentos e boas dores musculares. Cansei horrores e malhei como deveria ter malhado durante os 6 meses. Foi bom, sem intervenções, sem idiotas, só música na cabeça e ação no corpo. Bem feliz... Ufa, acabou.

Se eu tivesse grana, compraria os aparelhos mais legais, tipo aquele de abdominal, o de remar, o de balançar a mão e o pé junto (deu pra sentir que eu realmente entendo da coisa, né?). Mas whatever. Voltemos a correr no parque.

*O projeto Gisele Bundchen's body continua valendo. Eu sou brasileira, não desisto nunca. :D

6 de agosto de 2010

A arte dos galanteios fail forever


"Alright, don't touch me"

- Você é muito linda!
- Obrigada.
- Fica comigo?
- Não, obrigada.
- Por favor...
- Não, eu tenho namorado.
- Mas já? Quantos anos você tem?
- 25.
- Com essa idade tem que ser solteira.
- Eu prefiro ter namorado.
- Eu, por exemplo, tenho namoradas por todo o mundo.
- (o.O) É que eu prefiro qualidade do que quantidade.
- Eu adoro todas as minhas namoradas.
- E eu adoro o meu. Não vai rolar, cara...

Horas depois...
- Mas eu tava te observando dali e... seu namorado não tá aqui?
- Não.
- Cadê o seu namorado?
- Tá no Oiapoque (:D).
- Oia o que?
- Oiapoque, extremo norte do Brasil. Conhece?
- Não, não sei onde fica. Não conheço. O que ele tá fazendo lá?
- Trabalhando (torcida interna pra que rolasse a pergunta "o que ele faz", dispensadora imediata de chatonildos).
- Tá bom, tá bom. Só vou te dizer uma coisa: eu tô aqui, tá?
- Ok, adeus.

Pros gringos metidos a pegadores pelo mundo afora, segue a dica: mulheres comprometidas apaixonadas estão imunizadas contra cantadas que vocês julgam irresistíveis, como por exemplo: "tenho muitas namoradas por todo o mundo". Ah, e as não comprometidas também.
Seriously.
¬¬

Tenta isso aqui, ó (costuma fazer mais sucesso):


27 de julho de 2010

É que eu preciso dizer que te amo... tanto

"Me diz o que é sossego (ou sufoco) 
Eu te mostro alguém afim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora e pego carona pra te acompanhar"

Los Hermanos


Eu poderia usar todos os sertanejos e pagodes do mundo pra tentar explicar quão clichê é meu sentimento agora. Funcionariam. Mas ainda estaria longe do que quero dizer.

É como se cada dia que passasse o sentido amortecesse, como se algo importante me faltasse. Falta. Já vivi isso sim antes, mas não tô treinada e não quero me acostumar. Falta aquela agonia pra sair do trabalho logo e correr pros seus braços. E pular no seu colo e se pegar sem noção de moral ou bons costumes no shopping. E seguir pra qualquer canto, buscar qualquer lanche, seja sushi, seja o McSanduíche que mais parece o Itália, seja pãozinho com suco de maçã, ou só nutella na veia \m/ (a gente é tão light). Depois, a gente vai se lanchar até cansar, por muito tempo, com múltiplas alegrias. E se abraçar carinhosamente com muito cuidado, aliviar a tensão pela massagem perfeita, pelo toque nos pés, pelos beijos no corpo inteiro. Vou flutuar e me sentir segura... completa... realizada... feliz. Parar e pensar: caraca... eu não preciso de mais nada.

Eu te amo tanto que eu não quero me esforçar nem um pouco pra me acostumar com sua ausência. Sei que mesmo distante você vai continuar sendo o mais presente. Meu presente.

Fica bem.


Ouvindo True love waits, do Radiohead (mas sem cortar os pulsos, meu bem... Prometo).

12 de julho de 2010

Ensaio sobre a quase cegueira

 "Just 'cause you feel it doesn't mean it's there."
Radiohead

A gente não consegue imaginar o que é ser cego, surdo, mudo, deficiente, até ser atingido por uma mazela destas. Eu dei o azar de ter um tal de protozoário passeando no meu sangue, que resolveu se alojar no meu precioso olho. O maldito esperou minha imunidade cair e ó, caiu na folia. Achou que era legal arrebentar vasos sanguíneos (na real, eu me imagino no lugar dele e acho que a brincadeira deve ser bonita. Tipo arrebentar balões cheios de tinta vermelha e tal) e chamou uns amigos pra fazer uma bagunça dentro de mim.

A primeira edição da festa toxoplasmática rolou em 2002, enquanto eu era pré-vestibulanda. Uma manchona tomou conta do meu olho e eu achei que ia ter a chance de usar uns óculos fashion e me sentir a mais nerd da galáxia. Mas não, a parada era mais séria: "você pode ficar cega, sabia, mocinha?". Ok, doutor Terrorismo, vamos ao tratamento. E dá-lhe antibióticos... Detonam seu estômago depois de 40 dias, mas resolvem.

Visão de volta, com manchas amenas. Tudo tranquilo e sereno... um chamuscado vez ou outra perceptível, principalmente se o céu for límpido. Ufa, estou salva. Ou quase.

Como todo ser vivo gosta é de festa, veio a segunda edição da algazarra protista, com mais força. Quando me dei conta da situação, fui encarar o doutor Terrorismo once again. Tive que ouvir "você perdeu parte da sua visão. Isso aí já era". Oi? Favor me encaminhar ao doutor Otimismo. Alguém deve ter algo mais agradável pra falar do meu olho. Não, ninguém tinha.

Tomei uma pancada de remédio de novo, emagreci, perdi força, fiquei enjoada, mais sensível que o normal, chorosa horrores toda vez que lembrava o já weras pronunciado... Com o tempo, o olho esquerdo voltou a enxergar sem mancha. Uma parada pretinha ainda toma parte da visão periférica e parece não querer sair nunca maix. Mas eu tô bem. Só enxergo cicatrizes quando os dias estão muito claros. Talvez, uma cirurgia resolva um dia... Não me preocupo com isso até que alguma mancha nova incomode. É preciso estar atenta.

O pior é que eu não sou única no mundo. Pouquíssima gente vê tudo como tem que ser visto. Na verdade, acho que todo mundo sofre dessas paradas e nem tchum para a existência de tratamento. As manchinhas que percebo estão aí espalhadas. Todo ser humano tem. Elas se manifestam de formas bem variadas. Resolvi a minha na base das dorgas, mano, mas sei que tem muita coisa errada no que vejo ainda, que é mal vista por conta da minha cabeça, e não de prozoário idiota. E como só tem gente doida nesse mundo, não vá pensando que tá imune ao dodói da visão embaçada, manchada ou defeituosa.

Uma das vantagens ter a visão em risco é saber identificar quando se tem algo de errado nela (além de valorizá-la, claro). Consertar a bagaceira toda é outra história.

Eu quero enxergar direito.

23 de junho de 2010

Talvez eu entenda... quando crescer


Vai fazer falta ouvir a risada do japonês e ser instruída em todo tipo de MAC stuff. Watashino Rimi (esta pela qual escrevo, batizada e bem tratada pelo cara mais Apple-master que já conheci) presenciou meu desespero ao saber da notícia trágica.

Não vou fazer homenagem póstuma, embora ele mereça. Quero só registrar como vida e morte são as paradas mais aleatórias da galáxia. Muito aleatórias. Tanto que dá medo.

Não tenho muito o que dizer sobre o acidente idiota e a dor que tomou conta aqui, distante. E olha que eu não tava perto pra ver túmulo, receber o baque da notícia ao lado dos amigos em comum e tal. Eu não fazia parte da família, não era amiga íntima. Conhecia, admirava, trocava altas ideias e abraços sinceros. Contato limitado, afinidade imensa. A torcida vinha de lá pra cá, daqui pra lá.

Foi de quebrar coração e desidratar pelos olhos por dias. Poxa... um menino tão bom, tão brilhante, tão cheio de vida. Muito amável. Vai permanecer shining eternamente na memória de quem teve a sorte de conhecer.
Brilha no céu agora, Doug Funny.

Obrigada a todos que me consolaram e mandaram cafunés, mesmo que virtuais. Queria estar pertinho dos meus baulistanos para cuidar, confortar e compartilhar o momento. Fiquem bem.




E, dona Morte: shuffle um baralho. Eu quero meus queridos vivos.

26 de maio de 2010

Despejo de ódio do coraçãozinho

"Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio..."
Mário Quintana




Quem me conhece sabe que não sou puro ódio. O problema é que rolam uns momentos de enfezadinha do oceano que me inspiram muito a concretizar meu tratado liligráfico da raiva e do rancor (mas sem gotas de sangue, drama guys, please).

Lá vai o desabafo de hoje: 10 coisas que eu odeio no mundo (elas são mais numerosas que isso, com certeza... mas chega de revelações do lado sombrio da minha força por hoje, né?)

1. Maldades com crianças
Eu mandaria alguém deixar roxo o olho da procuradora bruxa, sem pensar duas vezes. Eu confio que a justiça de Deus cuida dessas paradas, mas cara... essa merece castigo humano. O maníaco das agulhas no bebê também seria digno de uma torturazinha. Confesso que não teria coragem de fazer com minhas próprias mãos (tenho até vergonhinha de pensar assim), mas essas aberrações merecem umas palmadas sim. Merecem que alguém aplique um corretivo. Merecem sentir que fizeram besteira grande e experimentar da dor que provocaram.

2. Olhar de superioridade
Ó como eu rebato: ¬¬.

3. Dedo julgador
... que pode ser o indicador ou o maior-de-todos mesmo. Me diz se tem alguma coisa mais irritante no mundo que "te conheço!" e "sei que você é assim!" Veeeelho... vade retro! SSSSSAI! (a entonação é a de pastor do descarrego).

4. Grosserias desmedidas e mal direcionadas
Não há TPM no mundo que justifique comportamentos explosivos com gente que não tem nada a ver com seu drama interior. Respeito é bom e eu faço questão. Eu sei que, às vezes, falta voz grossa pra responder à altura e sobra chororô de irritação... mas no meu mundo ideal, essas pessoas seriam fulminadas quando começassem a pensar em pronunciar agressões gratuitas (e tomariam no c* assim que abrissem a boca também. Ahan, eu sou má).

5. Quem serve/trabalha como se fizesse favor doloroso
... mais especificamente: com cara de bunda, mesmo. Seja no Sky's ou no Marvin. Gente assim tem aos montes nos ônibus, nas lojas, nos restaurantes, na vida, né? Desconfio que rola uma concentração cabuloooosa desse tipinho (de prestadores de serviço mal-humorados) no Rio.

6. Rótulos
Porque costumam ser precipitados. Já fui vítima de muitos. Que tal conhecer antes de definir? 

7. Agressões a quem amo
Dependendo do nível da parada, dói mais do que se fosse para mim. E eu tomo a dor meeeesmo, não tô nem aí. E se tiver oportunidade, provocarei catástrofes homéricas, quando estiver em frente ao agressor, só com meu superolhar de Phoenix (depois que pintei o cabelo de rosa, tô maior me achando a Jean Grey. Ah, e a Joss também:).

8. Indiferença
Se for comigo então, eu perco a noção e me emputeço fortemente. Sério que todo mundo enxerga outras pessoas no mundo. Pode não querer olhar, mas desprezar a existência é demais. Não precisa, né? 

9. Gente que se diminui 
Ok ter complexo de inferioridade, mas vamo lá: a vida de ninguém na galáxia inteira é tão ruim que mereça o lábio costurado e/ou murmurações todo tempo. Pode faltar dinheiro, faltar amor, faltar sexo, faltar isso e aquilo. Tudo não falta. Alguma coisa se tem. Cara... que canseira do ser menos, de gente que sempre acha que o outro tá melhor de vida. Tipo... get a life! 

10. Que ordenem sem ter autoridade para tal 
Se você não manda em mim, peça com educação.

E pra todo perfil que se encaixa como alvo dos meus ódios do dia, cantemos juntos o refrão:



Fuck you very very much.


Desabafei. Agora, chuva de amor ni mim!
(:

27 de abril de 2010

Pelo direito das reservas

"Parece que foi ontem, eu fiz
aquele chá de habu
pra te curar da tosse do chulé,
pra te botar de pé"

Sétimo Andar - Los Hermanos





Não adianta. Por mais shining que a pessoa esteja ou seja, o sapateiro da quadra não vai olhar pra fora da barraquinha. Ele simplesmente se fechou no mundo de 2 metros quadrados e é isso. Pronto.

O que? Achou ruim? Vá cuidar da sua vida e deixe o homem com os sapatos dele. Tem gente que conversa com vegetais, tem gente que bate papo com bicho. No final das contas, todo mundo a-do-ra ter seus botões para tagarelar indefinidamente. E dá-lhe twitter como muro de lamentações e campanhas pela preservação dos nossos monólogos eternos, mesmo que internos. Eis-me aqui, escrevendo no meu diário virtual mais uma vez. Difícil alguém comentar, mas quando rola, fico toda saltitante.

Na minha cabeça louca fica a crença de que todo mundo quer ser ouvido/lido/percebido/sentido. E saber que o sapato compreende o drama da última noite, e que a inquietude do seu peixinho enfezadinho do oceano (oi, eu sou a Dori) é por conta do mesmo chilique do qual você foi vítima durante o dia, faz qualquer um se sentir melhor. Parece que se divide o peso das paradas... elas ficam mais leves. Este é o poder do olhar amigo de compreensão e da presença, mais do que tudo.

Eu resolvi entreter o sapateiro com 7 pares dos amigos dos meus pés. Estavam todos agrupados no fundo do armário e adoraram o passeio. Há tempos ninguém trocava uma ideia com eles. Bastou apresentá-los ao senhorzinho, para ver um rosto iluminado. Brilho nos olhos (de sapateiro para os sapatos, claro). Por ser dona, consegui, com muito esforço, 3 bom-dias e até um "bonitinho esse aqui, né? Eu fiz muitos projetos assim quando era mais novo, no Rio". Nada mais.

Cri cri.

Foi aí que eu me toquei que meu esforço todo era pro cara se abrir e olhar pra fora, tipo pra mim. Egocêntrica-carente-da-poxa na alta assim, sabe? Me achando a mina que faz o chá milagreiro da letra dos Los Hermanos. Como se o carinha precisasse interagir com gente, cumprimentar os transeuntes. Bullshit! Ele tava diboua lá... mas ô, como a reserva em excesso me incomoda! Quando neguim se fecha demais já identifico o ser misterioso, daquele tipo indecifrável, que faz a gente pensar "aí tem coisa! ah, tem!". Tenho medo.

Depois de resgatar o que era meu, agora só respiro fundo e aceito. Queria sim mais bom-dias... porque é difícil eu sair de casa cedo do dia sem o tal do keep walking and smiling. Mas aí, cada um com seus esquemas de vida. Eu tenho os meus também. Ah, como tenho... (oxi, sai).

E entre o senhor que fica feliz por ter sapato para conversar no cubículo sem enxergar pessoa-ninhuma e a senhora hipocondríaca mal-humorada da língua venenosa incansável, na espera paciente pela consulta de 2 minutos, eu fico com o primeiro.

Eu amo contato, mas odeio gastar paciência exageradamente. Tudo demais cansa, né?

Ok... Muita palavra já.
Fala comigo?

12 de abril de 2010

Sobre a loucura de todo ser

"I'm just one of those ghosts
Travelling endlessly
Don't need no road
In fact they follow you
And we just go in circles"

Paramore





E quando ela perdia o chão, caminhava indefinidamente, sem rumo, em busca de terra firme ou de um canto para se esconder. Um único desejo impossível: amigo mundo, pare de girar por poucos minutos, até que eu me sinta recomposta e preparada para enfrentar o que for.

Às vezes eu me acho tão louca. Mas sei lá... tem coisa que é só humana. Cada um foge dos problemas do seu jeito. Cada um recupera a coragem para lidar com eles a sua maneira. Cada doido...

Que venham. Estou caminhando todo dia agora... e firmando bem meus pés no chão. Dia após dia fica mais difícil perdê-lo de vista.

29 de janeiro de 2010

Sobre compromissos de gente

"Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos..."


Deixemos de lado toda a história ridícula sobre guerra dos sexos, sobre papéis definidos para cada gênero pelo instinto, sobre a influência que hormônios diferentes têm sobre seres humanos. Falemos de personalidades, de indivíduo, de gente diversa, única, com livre arbítrio e com um superpoder comum, o de escolha.

Cansei de ler muita babaquice internética sendo disseminada como realidade mundial e venho fazer meu protesto. Assim como traição não é coisa de macho (não é bonito pra geral e não é nem um pouquinho certo em sociedades monogâmicas), casamento não é um rito feminino, no qual homens são meros detalhes complementos de festa. Eu sei que gente normalmente vem com preconceitos embutidos (idiotas, mas com justificativas sempre) e não é muito difícil deixar que alguns valores distorcidos façam parte do nosso pensamento programado "pelo comportamento social homogêneo". Bla, bla, bla. Digo por mim, e imagino que você saberá expor os seus se for questionado (difícil existir alguém livre do tipo de pensamento mau que discrimina... importante é não transformar em comportamento, né?). Mas vamos tentar refletir colocando homens e mulheres no mesmo patamar, como pessoas que têm sentimentos, se atraem, se envolvem e (se) amam.

Pode me chamar de romântica, de iludida, de sortuda... mas acredito que é humano se apaixonar E se comprometer. Prefiro não considerar a existência de um povo que começa namoro ou casamento planejando data pro fim. A proposta pode ser para os próximos meses e/ou ter intenção de ser para a vida inteira, whatever: a vontade de estar perto e ter uma companhia qualificada fixa é um desejo de gente, não só de meninas e príncipes encantados. Não entendo a macheza da negativa de "até falar" sobre casar, bem como não entendo o urgência louca pelo "véu e grinalda". A palavra 'casamento' pesa muita paciência, disposição e dinheiros, mas na real a tal da união é pra ser leve, coisa de coração e momento, mesmo. Me irrita o desespero de ambos os lados, por razões completamente opostas. E nem vem, que isso é posição que você toma enquanto pessoa, não como homem ou mulher. Tenho amigos fissurados pelo momento e amigas que vão adiar o quanto for possível. Não os considero aberrações...

E, sei lá, no final disso tudo, o que eu quero dizer é que não há proveito em estar aliançado com alguém só pelo compromisso social. Ele não é um fim. É pra ser um dos meios de se manter bem acompanhado formalmente, se desejar. Se não rolar, independente da idade ou do tempo de relacionamento, não é para ser encarado como livramento ou sofrimento. É um alguém seu, exclusivo (tipo best friend with benefits), que você ame, ao seu lado que você quer? Não precisa assinar papel nenhum. Para mim, no pacote da proposta do compromisso sério (seja pegação fixa ou namoro eterno) vêm incluído os benefícios de fidelidade e companheirismo... de outra forma, é qualquer outra coisa sem respeito pelo sentimento do outro (por isso que acho tão imorais todas as traições embaladas por trilha sonora romântica na novela das 8. Disgusting!). Longe de ser um contrato ou convenção social, se não há disposição de honrar e respeitar, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza (e toda aquela balela), independente da formalização dos laços que unem e do nível de envolvimento/intimidade da relação, não é um compromisso sério.

E na real, se você já tem um alguém querido que quer tão próximo constantemente, com quem deseja estar comprometido, você já tirou a sorte grande. Respira fundo... maybe, it's happiness.

"Deixa em paz a mim!
Se me queres, enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda... "
Mário Quintana

23 de janeiro de 2010

Perdendo (pro) tempo

[9gag]
O tempo é cruel. É por conta dele que as coisas vão se perdendo, desde as frutas que você compra no fim de semana pensando que vão resistir 4 dias, ao menos, à força de vida dos entes queridos. Mas se bitolar na paranóia de que tem que fazer o tempo multiplicar e aproveitar cada segundo e carpe diem/omnia, cara... vira coisa de louco. Você pode tentar só respirar fundo e sentir cada segundo, que pode tanto ter sido uó ou só mais entediante do que o anterior. Acho que pra todo mundo sempre rola aquela vontade de que o tempo passe logo em algumas temporadas e, ao mesmo tempo, aquela saudade que aperta o coração do tempo bom que não volta mais.

Essa semana eu quis muito parar o tempo. Queria muito que o mundo parasse de girar só um pouquinho e me concedesse alguns minutos de suspensão de tempo. O momento imaterial me reservaria o alívio de muito pensamento angustiante e de mais um bocado de sensações que me atormentam só por culpa do tempo. Tempo que voa.

I firmly believe que não tenho inferno astral. Tanto que tudo passou e estive inteirona aqui, no mês que completei 25 anos. O pós-aniversário que pesa... Parece que cobra da gente decidir o que muda, o que permanece, o que vale e o que vai valer a pena. É como se cutucassem irritantemente: "E aí, pra onde você tá indo mesmo?" Não sei, dona Consciência. Laissez-moi, ok? Tô pegando uma carona enquanto eu tento descobrir. Sim, com o próprio tempo. Não quero perdê-lo parada. Maldita inquietude do ser. Bora dançar ali no meio da rua e esperar que alguém tire uma foto idolatrada e que vire papel de bandeja do Marietta. Muitos "alguéns" vão  lembrar do meu bom tempo e sentir a leveza... e nem imaginar o quanto pesa não poder viver aquilo mais.

Tempo que a gente ganha e que vai. Vale sim, cada segundo. Acredite, tá comprovado: nada se perde, tudo se aproveita.
 
"Se um veleiro
Repousasse
Na palma da minha mão
Sopraria com sentimento
E deixaria seguir sempre
Rumo ao meu coração...

Meu coração
A calma de um mar
Que guarda tamanhos segredos
Diversos naufragados
E sem tempo..
."

Jessé/Zeca Bahia e Gincko

13 de janeiro de 2010

Balanço LPH 2009

"But when the night is falling
and you cannot find the light
If you feel your dream is dying
Hold tight 
...we only get what we give"
New Radicals

O grande aprendizado: família é família... não há o que substitua, nunca.
O maior mico:
e-mails com destinatários trocados.
A vergonha alheia:
tchanã nã nãs internéticos.
A leseira mais tchusb:
esquecer máquina fotográfica no assento do avião.
A cantada mais nojenta e desprezível: aí, acho que "tesuda" vai ser imbatível.
A aquisição mais útil: hd externo.
As perdas materiais mais lastimosas:
casacão baulista.
A concentração de esforços mais cansativa: freelas de impressos. Desisto, sou de motion e web.
Os filhos mais champions:
Mais uma Canção e o que foi pro Multishow, no Continue.
A criação menina dos olhos:
Filomena.
A paixão cultivada (e crescente):
animação.
O motivo-mor dos chororôs: ah, tantos... 
A maior saudade: vozinha.
O querer mais frequente:
colo.
O conhecimento mais proveitoso:
de pessoas.
A grande descoberta:
yes, I can.
O achado: meu canto.
A super benção: sou uma pós-graduada: especialista em Animação (sobrevivi, ó!).
O mês intenso:
julho.
As cores: cinza e rosa.
O elemento: ar (em movimento... vento, ok?)
O espaço:
indefinido.
O gosto: doce azedo (que nem aquele canudinho que a gente compra nas Americanas).
A sensação: tô de passagem.
As maiores emoções:
acompanhada.
A frase genial:
"Isto também passará".
A conquista:
trabalhos. A lot of.
O sentimento minim
izado:
ingratidão.
O prazer: estar perto dele.
A vitória: o 1º 1º lugar.
A máxima: "If you’re going to try, go all the way. Otherwise, don’t even start." Roll the dice - Bukowski.

E para 2010:
[frkncngz]