11 de julho de 2009

Ohana


"Apagar as pistas de que um dia
Ali já foi feliz
Criar raiz
E se arrancar"
tio Chico


Ela vai querer abraçar cada um dos que conheceu e, em seguida, vai ficar introspectiva. Vai correr para agilizar muitos eventos para tagarelar sobre os planos, falar da vida. Depois, vai correr para o quarto para conversar somente com seus botões, ficar calada olhando para o teto, imersa em seus pensamentos insones.

Vai sorrir como se parecesse estar certa do que quer e de que fez a melhor escolha e, minutos depois, chorar como criança querendo colo, abraçada ao travesseiro, com medo de que o próximo passo desencante todos os outros sonhos. Vai rir descontroladamente nas últimas conversas, querer viver intensamente cada hora dos últimos dias. E ficar ansiosa, inquieta e amargurada por conta do futuro tão incerto.

Vai curtir muito tempo se sentindo parte de um grupo, envolvida por muito carinho e amor. Vai se sentir querida, ah vai. Logo depois, vai perceber que apesar de parte de um todo, ela é um todo sozinho, dividido em muitas partes. E completa. Vai achar que não precisa de mais nada e de mais ninguém. Só. Aí as lágrimas vão rolar suaves, como se não tivessem pressa nenhuma de anteceder o desabamento. Ela sabe que é nada sem outros todos por perto.

Não, ela não vai pirar. Sempre foi assim... Nunca soube exatamente o que fazer. E não tem a esperança de, um dia, saber o que quer da vida. Deixa que corra livremente. E espera que seja linda... mesmo cheia de altos e baixos. Cheia de gente em volta ou trancafiada no universo particular. Aqui ou acolá. Sentindo-se forte ou fraca.
Viva.

"Ir deixando a pele em cada palco
E não olhar pra trás

E nem jamais
Jamais dizer

Adeus"