23 de maio de 2009

Os bus nossos de cada dia

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento".
Clarice Lispector



- Buuuuuua...
- ...
- Buuuuuuuuuuuuua!
- Ah nãaaaao, pára com esse buuuuuuuuu.
E levanta a mão pra bater na coleguinha que só queria sinalizar a presença.

- Ô menina, deixa de ser mal-humorada - a babá reclama.
- Essa daqui é demais... e só tem 5 anos. Quero só ver quando essa peste crescer. - responde a cuidadora 2, que segura firme no braço da drama girl e diz: - A amiguinha só tá brincando, tá vendo não? Fala com ela, coisa ruim.
- Não querooou. - a menina responde cheia de manha, preparando lágrimas de crocodilo.

A outra fica com o olhar perdido no ar. Estava bem intencionada, eu sei. Mas vai saber como é que o outro lado recebe as coisas, né? Ela pode estar traumatizada com os "buuus" dos monstros do próprio armário (ou "buuuas" mesmo, se eles forem tão cariocas quanto a dona do quarto) ou apenas de tpm. Ok, a última opção não é válida para os pré-projetos de mulherzinhas em questão. Mas deixe a idade vir e verifique que não há como entender bem de gente, mesmo... E cara, neste caso, não rola de esperar que o tempo ensine.

Para mim, o ser humano continua sendo o que há de mais precioso e complicado nesse mundo. Não compreendê-lo completamente pode ser um dos pontos-chave pra tornar nuestra vida mais interessante e curiosa... ou apenas mais misteriosa e instingante.

2 comentários:

aline disse...

Fui procurar sobre um curta e acabei paranco aqui, numa xará de Lili. O nome do blog é pq? E gostei do texto, pensei numas crianças que ficam com as babás aqui perto de casa...

Livia Holanda disse...

Oi Aline!
Legal ter parado neste canto e curtido. *\o/*
O nome vem do poema "A Última" de Quintana. Ele começa assim "A última de Lili, que me apresso a anotar, para meu Tratado de Liligrafia...". Tirei de um livreto fofo que tenho aqui na cabeceira "Lili inventa o mundo".
A carapuça da menina serelepe que fica imaginando coisas surreais me serviu e aí virei a Lili que escreve o próprio Tratado. Eis o motivo do título e do blog.

Volte sempre, xará!=)