23 de maio de 2009

Os bus nossos de cada dia

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento".
Clarice Lispector



- Buuuuuua...
- ...
- Buuuuuuuuuuuuua!
- Ah nãaaaao, pára com esse buuuuuuuuu.
E levanta a mão pra bater na coleguinha que só queria sinalizar a presença.

- Ô menina, deixa de ser mal-humorada - a babá reclama.
- Essa daqui é demais... e só tem 5 anos. Quero só ver quando essa peste crescer. - responde a cuidadora 2, que segura firme no braço da drama girl e diz: - A amiguinha só tá brincando, tá vendo não? Fala com ela, coisa ruim.
- Não querooou. - a menina responde cheia de manha, preparando lágrimas de crocodilo.

A outra fica com o olhar perdido no ar. Estava bem intencionada, eu sei. Mas vai saber como é que o outro lado recebe as coisas, né? Ela pode estar traumatizada com os "buuus" dos monstros do próprio armário (ou "buuuas" mesmo, se eles forem tão cariocas quanto a dona do quarto) ou apenas de tpm. Ok, a última opção não é válida para os pré-projetos de mulherzinhas em questão. Mas deixe a idade vir e verifique que não há como entender bem de gente, mesmo... E cara, neste caso, não rola de esperar que o tempo ensine.

Para mim, o ser humano continua sendo o que há de mais precioso e complicado nesse mundo. Não compreendê-lo completamente pode ser um dos pontos-chave pra tornar nuestra vida mais interessante e curiosa... ou apenas mais misteriosa e instingante.

18 de maio de 2009

Sobre ser uma pimenta

"Pimenta nos olhos dos outros é refresco"
...mesmo se ela estiver triste e cabisbaixa a ponto de não conseguir nem olhar pra cima enquanto anda.

- Põe a musiquinha aí, põe, minha filha... não se estressa com os idiotas e esquece um pouco da vida.

Eu acredito em musicoterapia.
Sou contra crocs... Para mim, são uma ofensa ao bom senso.
Não creio que o homem foi à lua.
Discordo que Caetano seja um bom músico.

Odeio o cheiro do óleo sobre o macarrão.
Sou alérgica ao conceito da soja aplicada a tudo.
Sei que se alface tivesse sabor de bacon, o mundo sofreria menos de obesidade (e minhas saladas seriam mais leves... talvez até consideradas light. Saborosas elas sempre são).
Tudo fica melhor com mel ou creme de leite.
Pipoca é alimento soberano.
Queijo e granola são sempre bons complementos.
Atualmente, os iogurtes de garrafa são mais dissolvidos, os leites mais ralos, os chocolates mais doces. Alguns feelings se perdem, mas o melhor tempo continua sendo agora.

E, na verdade, muita pimenta só é legal em roupas. Cereja em bolsas e sobre guloseimas é o toque especial. Já melancia é boa em tudo... faixas, acessórios. "Muita água, não engorda", dizem por aí. Fruta bonita, paleta cromática perfeita. Kiwi manda bem também, com mais discrição.

Agora se for pra chamar atenção, que seja pimenta. Mesmo que você não a veja, vai senti-la. E se conseguir enxergar, mesmo que o que ela mais queria seja permanecer invisível, será uma boa experiência. Talvez a presença não seja exatamente afrodisíaca e picante... mas é notável, do tipo fácil de ser reconhecida e pronta pra ser identificada.

- Bota uma colherada de azeite pra ajudar a afinar a cintura e traz o sal. E ah! Não esquece da pimenta, por favor.

No fim das contas, a questão talvez não seja a textura, nem o tempero, nem a cor, nem o sabor... mas as sensações.

6 de maio de 2009

Sou de Filó

"A maior dor do vento é não ser colorido"
Mário Quintana


Antes que o tratado crie teia, estou batendo o ponto liviano.

Hoje, tenho poucas certezas (pra variar), mas elas são tão fortes e claras que compensam quase toda a bruma que envolve o futuro próximo. Menos de 2 meses para meu compromisso oficial com o Rio acabar e eu já sei o que quero. Ahan, sei... ¬¬

No me gusta decidir agora pela loucura que vai ser a virada do semestre. Teria algumas opções para apresentar e elas variam da mais sensata (com os pés bem fincados no chão e uma mulher trabalhadora de peito aberto, disposta a se lançar no esquema comum de pessoas adultas assalariadas em empregos estáveis, com benefícios e plano de saúde) à mais utópica (com vôos leves e inusitados, flutuações de acordo com o vento e vida de borboleta encantada, que curte sentir antenas balançando pelo mundo afora - e que, provavelmente, é amiga de pôneis coloridos que soltam puns de glitter).

É, não adianta: eu queria viver o sonho sempre. Mas aí, como ser humano que tem um corpo para manter, preciso acordar de vez em quando, nem que seja só pra dar aquela sacudida ou atacar a geladeira e me reabastecer para a próxima cochilada ixperta... Ai que sono.

Deitada na cama, paro e penso. E agora? Qual dos sonhos vêm primeiro? Bom mesmo é poder escolher, já diria o cavaleiro. Infelizmente, nada fica em stand by eterno. E, na realidade, isso não é um problema. Copo metade cheio, que tal?

É como se eu tivesse que selecionar a programação da minha TV. O desenho animado que tiver que assistir para minha vida ser completa vai ter que rolar uma hora ou outra. E se não acontecer, eu vou dar um jeitinho para que meus olhos o contemplem. Aqueles que não parecem os melhores, sorry periferia. Temos prioridades, certo?

Let it be. Tô quase pronta, andando sobre fios e sentindo a direção da brisa, incolor e nada palpável. Quando a hora chegar, eu vou saber exatamente o que fazer. Ou não. E se eu não souber e/ou errar na escolha, who minds? Tudo sempre dá certo no final mesmo.

Venha maio, venha junho. A próxima metade do ano que espere para acontecer na hora que deve. Um dia de cada vez... não me pressionem.

Enquanto isso, filomeneio.