30 de janeiro de 2009

Não posso ficar...

"E além disso mulher, tem outra coisa
Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar"
Adoniran Barbosa


Quem não é mãe não compreende a tamanha preocupação que me toma quando dá 23h30 e a filha "de férias" não voltou pra casa. Que tal ligar? Basta ser desnecessariamente apelativa em uma das chamadas que a ovelha negra parece reduzir o excesso de tempo longe da saia materna. Fechando asas automáticas, zum. Afinal de contas, minha filha, tem que cuidar... não dá pra liberar geral assim.

Vai que no meio da noite, numa cidade violenta e tão cheia de atrocidades que a capital do país tem se tornado, lá dentro daquele apartamento de família de classe média alta, entre tantos outros amigos conhecidos meus, de repente, chega um maluco atirando pra tudo quanto é lado e acaba com toda juventude cheia de vida que se divertia feliz na sala de estar. Ou pior, colocam coisas na coca-cola com limão que ela toma sempre (minha filha não suporta nem sentir o cheiro de cerveja, que dirá beber drinks coloridos e/ou destilados), ela desmaia e levam os preciosos olhos castanhos toxoplasmóticos recuperados raríssimos. Hoje em dia, tudo pode acontecer, não dá pra desprezar o potencial da criminalidade neste país. Taí nos jornais, nas revistas, na televisão...

Outro dia a vizinha comentou que aquela amiguinha, que vivia brincando de barbie com minha menina, depois de crescida virou do tipo apreciadora de pózinhos mágicos. Tô até imaginando a mocinha sugerindo que o açúcar refinado é do melhor, aromatizado, cheirinho diferente... daí minha filha, tadinha, confia muito naquele povo. Vai querer experimentar e quando perceber, pam... tá lá, no mundo das drogas, toda elétrica, vendo elefantinho rosa com bolinha verde junto com aquele povo da federal, tudo metido a artista, tudo louco, nuvem de maconha no ar, pouco banho. Já andei por aquele campus, sei bem o tipo de gente que ela esbarra nessas festinhas. E os perigos não param por aí! Duvido se o namorado também não fica procurando meios de deixá-la sem sentidos para deitar e rolar com minha pura e santa filha. Porque é só isso que homem quer: sexo. O fato é que são todos um bando de safados buscando um canto confortável e prazeroso para espalharem o sêmen pela terra. Ah, mas em sangue do meu sangue não!

Por isso eu fico doente de preocupação e não durmo enquanto ela não chega. E se for preciso, ligo até que ela estresse e volte bufando, contrariada. Porque tem 24 anos, porque é responsável e não faz besteira, porque só estava dentro de um apartamento jogando conversa fora e curtindo tempo de qualidade com os amigos que não via há tempos, porque a cidade é tranquila, porque não dá conta de viver numa bolha... e porque cansou do meu protecionismo "exacerbado". Bla, bla, bla. Eu que sei quanta maldade há nesse mundo... se exagero é porque é fato que os riscos existem. E ela vai falar que se estivesse longe não teria alguém ligando a cada 5 minutos depois da meia noite. Que sai e volta de madrugada na tal da cidade "maravilhosa" loteada pelo tráfico. Toda destemida, vai pra Lapa com amigos, aproveita a noite e volta pra casa. Não fica louca, não se droga, não é atingida por bala perdida, não dorme na casa dos outros, não leva rapazes pra casa e não, não tem ninguém gritando no pé da orelha pra que não invente situação no meio da rua e volte logo pra casa. Como pode, né? O pior é que ela tá inteirona mesmo. Acho que ela ouve minha voz conselheira nestes momentos. Creio que consegui programar o comportamento a distância. Ou talvez ela tenha crescido e se tornado uma mulherzinha ajuizada. Humm... melhor não confiar muito. Vou ligar de novo... já faz 1 hora que ela disse que estava voltando.

Não entendo mesmo. Acho palha (no melhor linguajar brasiliense) não poder voar no canto que mais conheço bem. E como tenho adiado o sonho de ser mãe nos últimos tempos (¬¬), eu só me esforço pra tentar enxergar amor no cuidado excessivo. E ops, acho que tô ouvindo o lar carioca chamar...

Quaiscalingudum,
Quaisgudum, tchau!

5 de janeiro de 2009

Balanço LPH 2008

"Whatever tomorrow brings I'll be there
With open arms and open eyes"
Incubus

Sem esse papinho que 2008 foi o ano da minha vida e tal... o ano anterior a este foi tão intenso quanto, mas com momentos tão distintos que a comparação não é válida. Já que quem passa por aqui conhece meus caminhos dos últimos tempos, prefiro não ser redundante e cair na chatice extrema do ser escrevendo retrospectiva detalhada. Sem delongas, entonces. Listinha dos mais mais:
*Embora criptografada, acredito que o público-alvo vai compreender. Questionamentos nos comentários ou in private, please.

O grande aprendizado: desconhecidos podem ser boas pessoas. Ou loucas e más. Se tiver que morar com estranhos, conte com a sorte.
O maior mico: exposição de partes indevidas da figura em público.
A
vergonha alheia: "fálico" para designar cheio de falhas.
A leseira mais tchusb: não levar a identidade na carteira.
A cantada mais nojenta e desprezível: "tesuda".
A declaração mais tosca: "não gosto de você como você acha que eu gosto, but nice boobs".
A tempestade raivosa melhor contida:
barraco no ônibus.
A compra mais impulsiva:
cavaquinho.
A aquisição mais útil: Watashino rimi.
A perda material mais lastimosa: musiquinhas portáteis.
O trabalho mais divertido:
ser blogueira.
A concentração de esforços mais cansativa: ser blogueira.
O filho mais champion:
HP Spot.
A criação menina dos olhos:
Filó.
A paixão cultivada (e crescente):
animação.
O motivo-mor dos chororôs: saudade.
A maior saudade: pacote família (regalias do doce lar e amigos da ilha inclusos).
O querer mais frequente:
abraço demorado.
O conhecimento mais proveitoso:
de gente.
A grande descoberta: há (muita) vida além do meu umbigo, de quartinhos minúsculos, da casa dos pais, da capital, do país, do mundo e do planeta (and I really mean it).
O achado: o ponto vermelho.
A super benção: a internet.
A estação bem vivida:
primavera.
O mês intenso: outubro.
As cores: verde e azul (com pitadas de amarelo e cinza).
O elemento: água.
O espaço: céu.
O gosto: cítrico.
A sensação: maciez.
As maiores emoções:
nos imprevistos.
A frase genial:
"Já estava assim quando cheguei", do Homer.
Os versos inspiradores:
"Não faças de ti um sonho a realizar. Vai.", da Cecília.
As músicas-tema:
Drive, Incubus; Dare you to move, Switchfoot; Diz que fui por aí e Descansa coração, com Fernanda Takai; Solidão, Tom Zé; Borboletas, Luciana Melo; Liberdade, Camelo; Ópio, Zeca Baleiro; Eu sei, Legião Urbana...
A conquista:
abrir asas.
O sentimento minim
izado: medo.
O prazer: fazer acontecer.
A vitória: concretização de sonhos.
A máxima: se joga!

Que 2009 seja tão emocionante e surpreendente quanto 2008. Com menos futuros do pretérito e doses do muito positivo em tudo. Quero mais. Adoro anos decisivos (viva o frio na barriga com vento na cara... iei!).

Se isso for bom pra você também, fica aí na mesma vibe. E ousadia para por as mãos no novo caderninho cheio de páginas em branco assustador. Compra nanquim, recorta umas paradas legais dos papéis que você junta, recupera os lápis de cor encostados, pinga umas tintas e desenha um bocado. Arrisca, sabe? Usa essas coisinhas aí que você acumulou até agora pra criar algo que encha de alegria por ser brand new e único. E que cada dia seja intenso e feliz, na medida do (im)possível.

Stay beautiful.

Sucesso pra nós! =]