28 de dezembro de 2009

Saudades...

... daquela que fugia de casa para dançar forró com o amado. Moçoila bonita, merecedora de centenas de serenatas apaixonadas. Que queria tanto o casamento, a ponto de contrariar o pai brabo (mesmo armado com peixeira do tipo paraíba masculina) e fazer questão de montar a própria festa. Que costurou o próprio vestido de noiva com esmero, e saberia reproduzi-lo descrevendo com detalhes até dias atrás. "Era rosinha de babados, uma graça... vou até desenhar pra você, Livinha".

Da destemida que veio para Brasília com o marido, onde teve seus 6 pimpolhos em meio a instabilidades da vida financeira, amorosa, profissional. Dona Maria, Dona (com propriedade) da família Pereira. Enfermeira, mãe e mulher guerreira. Pronta a perdoar, a acolher, a amar.

Da engordadora de netas: produtora dos melhores almoços de bife à milanesa, arroz branquinho e batata-frita, seguido de sobremesas light como brigadeiro ou doce de pêssego mergulhado no creme de leite. Únicas e deliciosas dietas para engordar. Como os dias eram gostosos com ela bem perto...

Da senhora dos olhos brilhantes e da mente acesa. Viva até o fim.
Daquela que me emociona pelos conselhos acertados, pelo amor incondicional, pelo apoio irrestrito... pelo exemplo de vida. Impecável. Infinita.

Da minha linda que levanta as mãos para se entregar ao Pai.

Descansa em paz, vozinha. A pimentinha aqui, "doidinha que nem você", vai seguir firme e forte, com adoráveis lembranças da sua presença.


"Para estar junto não é preciso estar perto,
e sim do lado de dentro".

Leonardo da Vinci

1 de dezembro de 2009

Si proche, toujours plus proche


Fauborg Saint-Denis, do Paris Je t'aime.
Coisalindadedeos feita por Tom Twyker.

Tô chorando horrores, como na primeira vez que vi, só que agora com um coração feliz, satisfeito e certo (como nunca).

Em duo. Nham.

21 de outubro de 2009

Achados de uma perdida


"Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?"

 Retrato - Cecília Meireles



É como se o cérebro flutuasse no formol, dentro do potinho do laboratório do jardim de infância. Minha cabeça é o potinho. E o cérebro lá, boiando, mexendo de um lado pro outro, envolto por qualquer outro líquido conservante... acuado vez ou outra como peixinho no aquário, que sabe que o cutucão sempre vai soar mais ensurdecedor do que de fato é. Ele prossegue balançando conforme o movimento do corpo... Corpo que não reconheci, que não vi se transformar. Que perde peso a cada noite mal dormida e que começa a não encher bem as calças. Incômodo.

Pareceu tudo inadequado. A roupa, o corpo, o cérebro boiando. Quem era mesmo? Piloto automático ligado. Pode encher o tanque, por favor? Medo de atolar na lama do caminho molhado. Incapaz de dominar pensamentos - nem os dela, quem dirá dos outros. Trabalha, trabalha. Respira, dorme, muda o horário. Rotina. Sorria, você está sendo filmada. Abalável, tentando permanecer impecável. Sonha menos, luta mais. Sempre quer mais. Insaciável ou insatisfeita? Quero ser mais.

Pra onde tudo vai mesmo? Onde está minha carteira? Tem um bocado de documento lá... algo deve me identificar. Não a carteirinha de estudante 1, nem a de estudante 2 - a missão. Talvez a de motorista: mulher que dirige bem. Toda destemida, o pai falaria. Ainda não sei se é crítica ou elogio. Não sei se é suficiente pra me definir. Espero que não. Não, não é.

Identidade. Vontade de chorar. Eu estou exatamente onde eu queria estar. E agora? Algumas porções do que há de mais fantástico por dia e pronto, está medicada. Pode chamar de drogada, viciada. Necessita ser bem tratada. Ou só de um bom trato.

Dor de cabeça. Dorme, filhinha. Sentimentos e pensamentos suspensos. Descansa, coração, e bate em paz.
Amanhã é outro dia. Em breve, eu me acho.

10 de agosto de 2009

Just a piece of paper



Para assistir na velocidade certa, clique aqui.


Queria que se divertissem tanto com meu pedaço de papel as I do.
E não me venha com churumelas. Eu JÁ SEI que tudo depende do referencial.

11 de julho de 2009

Ohana


"Apagar as pistas de que um dia
Ali já foi feliz
Criar raiz
E se arrancar"
tio Chico


Ela vai querer abraçar cada um dos que conheceu e, em seguida, vai ficar introspectiva. Vai correr para agilizar muitos eventos para tagarelar sobre os planos, falar da vida. Depois, vai correr para o quarto para conversar somente com seus botões, ficar calada olhando para o teto, imersa em seus pensamentos insones.

Vai sorrir como se parecesse estar certa do que quer e de que fez a melhor escolha e, minutos depois, chorar como criança querendo colo, abraçada ao travesseiro, com medo de que o próximo passo desencante todos os outros sonhos. Vai rir descontroladamente nas últimas conversas, querer viver intensamente cada hora dos últimos dias. E ficar ansiosa, inquieta e amargurada por conta do futuro tão incerto.

Vai curtir muito tempo se sentindo parte de um grupo, envolvida por muito carinho e amor. Vai se sentir querida, ah vai. Logo depois, vai perceber que apesar de parte de um todo, ela é um todo sozinho, dividido em muitas partes. E completa. Vai achar que não precisa de mais nada e de mais ninguém. Só. Aí as lágrimas vão rolar suaves, como se não tivessem pressa nenhuma de anteceder o desabamento. Ela sabe que é nada sem outros todos por perto.

Não, ela não vai pirar. Sempre foi assim... Nunca soube exatamente o que fazer. E não tem a esperança de, um dia, saber o que quer da vida. Deixa que corra livremente. E espera que seja linda... mesmo cheia de altos e baixos. Cheia de gente em volta ou trancafiada no universo particular. Aqui ou acolá. Sentindo-se forte ou fraca.
Viva.

"Ir deixando a pele em cada palco
E não olhar pra trás

E nem jamais
Jamais dizer

Adeus"

25 de junho de 2009

Sete

"Quando os ventos de mudança sopram,
umas pessoas levantam barreiras,
outras constroem moinhos de vento"
Érico Veríssimo


Na noite passada, ventou como se algo mágico estivesse para acontecer. Seria a conclusão do curso, os novos rumos a vida tomaria, as vitórias na ilha? Surpresa. :)
Passaria mais alguns minutos da madrugada observando as ondas que se formaram nas árvores, se o cansaço pelo fim desta fase não pesasse tanto em meu corpo.
Quase lá.
Misto de emotividade excessiva, nostalgia e ansiedade.
Mais chocolate, please.

23 de maio de 2009

Os bus nossos de cada dia

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento".
Clarice Lispector



- Buuuuuua...
- ...
- Buuuuuuuuuuuuua!
- Ah nãaaaao, pára com esse buuuuuuuuu.
E levanta a mão pra bater na coleguinha que só queria sinalizar a presença.

- Ô menina, deixa de ser mal-humorada - a babá reclama.
- Essa daqui é demais... e só tem 5 anos. Quero só ver quando essa peste crescer. - responde a cuidadora 2, que segura firme no braço da drama girl e diz: - A amiguinha só tá brincando, tá vendo não? Fala com ela, coisa ruim.
- Não querooou. - a menina responde cheia de manha, preparando lágrimas de crocodilo.

A outra fica com o olhar perdido no ar. Estava bem intencionada, eu sei. Mas vai saber como é que o outro lado recebe as coisas, né? Ela pode estar traumatizada com os "buuus" dos monstros do próprio armário (ou "buuuas" mesmo, se eles forem tão cariocas quanto a dona do quarto) ou apenas de tpm. Ok, a última opção não é válida para os pré-projetos de mulherzinhas em questão. Mas deixe a idade vir e verifique que não há como entender bem de gente, mesmo... E cara, neste caso, não rola de esperar que o tempo ensine.

Para mim, o ser humano continua sendo o que há de mais precioso e complicado nesse mundo. Não compreendê-lo completamente pode ser um dos pontos-chave pra tornar nuestra vida mais interessante e curiosa... ou apenas mais misteriosa e instingante.

18 de maio de 2009

Sobre ser uma pimenta

"Pimenta nos olhos dos outros é refresco"
...mesmo se ela estiver triste e cabisbaixa a ponto de não conseguir nem olhar pra cima enquanto anda.

- Põe a musiquinha aí, põe, minha filha... não se estressa com os idiotas e esquece um pouco da vida.

Eu acredito em musicoterapia.
Sou contra crocs... Para mim, são uma ofensa ao bom senso.
Não creio que o homem foi à lua.
Discordo que Caetano seja um bom músico.

Odeio o cheiro do óleo sobre o macarrão.
Sou alérgica ao conceito da soja aplicada a tudo.
Sei que se alface tivesse sabor de bacon, o mundo sofreria menos de obesidade (e minhas saladas seriam mais leves... talvez até consideradas light. Saborosas elas sempre são).
Tudo fica melhor com mel ou creme de leite.
Pipoca é alimento soberano.
Queijo e granola são sempre bons complementos.
Atualmente, os iogurtes de garrafa são mais dissolvidos, os leites mais ralos, os chocolates mais doces. Alguns feelings se perdem, mas o melhor tempo continua sendo agora.

E, na verdade, muita pimenta só é legal em roupas. Cereja em bolsas e sobre guloseimas é o toque especial. Já melancia é boa em tudo... faixas, acessórios. "Muita água, não engorda", dizem por aí. Fruta bonita, paleta cromática perfeita. Kiwi manda bem também, com mais discrição.

Agora se for pra chamar atenção, que seja pimenta. Mesmo que você não a veja, vai senti-la. E se conseguir enxergar, mesmo que o que ela mais queria seja permanecer invisível, será uma boa experiência. Talvez a presença não seja exatamente afrodisíaca e picante... mas é notável, do tipo fácil de ser reconhecida e pronta pra ser identificada.

- Bota uma colherada de azeite pra ajudar a afinar a cintura e traz o sal. E ah! Não esquece da pimenta, por favor.

No fim das contas, a questão talvez não seja a textura, nem o tempero, nem a cor, nem o sabor... mas as sensações.

6 de maio de 2009

Sou de Filó

"A maior dor do vento é não ser colorido"
Mário Quintana


Antes que o tratado crie teia, estou batendo o ponto liviano.

Hoje, tenho poucas certezas (pra variar), mas elas são tão fortes e claras que compensam quase toda a bruma que envolve o futuro próximo. Menos de 2 meses para meu compromisso oficial com o Rio acabar e eu já sei o que quero. Ahan, sei... ¬¬

No me gusta decidir agora pela loucura que vai ser a virada do semestre. Teria algumas opções para apresentar e elas variam da mais sensata (com os pés bem fincados no chão e uma mulher trabalhadora de peito aberto, disposta a se lançar no esquema comum de pessoas adultas assalariadas em empregos estáveis, com benefícios e plano de saúde) à mais utópica (com vôos leves e inusitados, flutuações de acordo com o vento e vida de borboleta encantada, que curte sentir antenas balançando pelo mundo afora - e que, provavelmente, é amiga de pôneis coloridos que soltam puns de glitter).

É, não adianta: eu queria viver o sonho sempre. Mas aí, como ser humano que tem um corpo para manter, preciso acordar de vez em quando, nem que seja só pra dar aquela sacudida ou atacar a geladeira e me reabastecer para a próxima cochilada ixperta... Ai que sono.

Deitada na cama, paro e penso. E agora? Qual dos sonhos vêm primeiro? Bom mesmo é poder escolher, já diria o cavaleiro. Infelizmente, nada fica em stand by eterno. E, na realidade, isso não é um problema. Copo metade cheio, que tal?

É como se eu tivesse que selecionar a programação da minha TV. O desenho animado que tiver que assistir para minha vida ser completa vai ter que rolar uma hora ou outra. E se não acontecer, eu vou dar um jeitinho para que meus olhos o contemplem. Aqueles que não parecem os melhores, sorry periferia. Temos prioridades, certo?

Let it be. Tô quase pronta, andando sobre fios e sentindo a direção da brisa, incolor e nada palpável. Quando a hora chegar, eu vou saber exatamente o que fazer. Ou não. E se eu não souber e/ou errar na escolha, who minds? Tudo sempre dá certo no final mesmo.

Venha maio, venha junho. A próxima metade do ano que espere para acontecer na hora que deve. Um dia de cada vez... não me pressionem.

Enquanto isso, filomeneio.

9 de abril de 2009

Simples assim

Tô cheia de coisa para falar, mas vou poupar palavras.
"São tempos difíceis para os sonhadores", diria alguém em Amelié.
Quando eu começo a desacreditar que as coisas vão ficar lindas novamente, lembro que tudo começa dentro. Parece mais difícil de tratar, mas na real, é bom sentir que tenho o poder de cuidar de mim.

Preciso voltar a correr.

5 de março de 2009

Um é pouco?

"Mas não, não vá agora
Quero honras e promessas

Lembranças e histórias...
Somos pássaro novo

Longe do ninho"

Renato Russo


Ela pôs a trilha sonora da tarde e voltou caminhando pela sombra. Sapatinho baixo lilás cheio de furinhos, saia de bolas coloridas, blusinha de alça preta com babados, cachos soltos, franjona presa com flor roxa de pano. Óculos escuros gigantes, bolsinha preta na mão e fones brancos no ouvido.

Andava no ritmo, sincronizava passos, forçava o balanço da saia e do cabelo. Tão bom sentir o vento na nuca. Desta vez, sem insegurança pela cabeleira solta. Que se armasse como sempre! Estava voltando para casa mesmo... a juba não era uma preocupação.

Levanta o braço para catar algumas das folhinhas na árvore. Ah... quantos bem-me-quer e mal-me-quer sempre rendiam. E como se soltam fácil, logo dá pra encher a mão e brincar de jogar pra cima. Iuhu! E vão cair todas levemente, como confete natural, fazendo festa ao redor. Bagunça extra sobre os cachos, a roupa, o chão...

Distraída, no clímax da folia solitária, esquece que está atravessando uma rua movimentada. "Oh meu Deus!", duas senhoras gritam pra despertar a jovenzinha da hipnose momentânea. Esqueceu de olhar pros dois lados, por um triz um acidente não aconteceu. Desculpa, moço... o erro foi meu. "Que isso, morena... não foi nada". Sorrisos confirmam o acordo de paz. Ok, then. Continuemos inabaláveis, faltam apenas 2 quarteirões.

Ao chegar no portão, o show público acaba. Merece puxadinha na saia, virada pra um lado, pro outro. Sim, o porteiro já te viu, chega de dancinhas, pode entrar.

Sobe pelo elevador fazendo alongamento. Sétimo andar. Localiza as chaves perdidas na bolsa e abre sua própria porta. A casa tá vazia, aproveita pra cantar com todo o fôlego.

Quarto branco de alma colorida... cama pedindo seu corpo. Ah, se joga vai. Sem perder o ritmo, estica... vale enrolada no lençol, com o último movimento da aula de tecido e descida atrapalhada da cama ao chão. Pose de bailarina desengonçada. Cambalhotas até suar. Nóssinhora, que cidade quente. Ventilador pedindo espaço no momento divertido. Genial, mocinha! Veeeeeento... que faz a saia subir. As bolinhas quase se soltam do tecido. Pulinhos, caretas... pronto, cansou.

Deita e relaxa. Respirando fundo, para e pensa. Um ano...

Talvez não pudesse ser melhor. Super experiência, hein? Vai crescer muito. É, nunca se sabe. Diverte-se com o que veste, caminha saltitando, se distrai com folhinhas da infância, quase é atropelada nas esquinas, chora de saudade da família com frequência, sente o coração saltitar ao ouvir a voz daquele que identifica como príncipe, faz acrobacias desajeitadas na cama e ainda quer abraçar o mundo... e voar como 'passarinha' (porque borboleta vive pouco).

Suspira. Um ano... quem diria...

15 de fevereiro de 2009

Pérolas de salão 1

"E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água..."
tio Chico


- Me conta como acontece nas suas festinhas...
- Ah, sempre tem mais mulher que homem.
- Por que será?
- Com certeza vocês matam mais.
- E como selecionam as mulheres? Vocês escolhem as mais bonitas para dançar?
- Não, elas ficam enfileiradas. Cada uma na sua vez. Tem que ser organizado.
- Elas ficam comentando coisas e analisando as opções?
- Lógico. Mulher é um bicho cochichador por natureza. Nascem cochichando e vão morrer cochichando.

Look into my eyes now, little old man. Zuuuuuuiim!
Fulminado.
Next?!

E olha que você entende porque tem mais viúva no mundo...
Aprenda a se portar num salão de beleza e prolongue seu tempo de vida nesta terra, ó homem.
Inteligência, fi.

¬¬

7 de fevereiro de 2009

Cool girl of dreams

O grande amor demorou pra surgir? Sei lá... às vezes ele tava procurando no canto errado. Não é nos lugares comuns que coisas encantadas acontecem. Vai pra um beco esquisito e observa as pessoas... hora de escolher alguém pra ser a obsessão que vai ocupar sua cabeça por alguns meses.

Daí ele viu uma garota diferentona, super cool, cheia de estilo. Chamou atenção... paixão à primeira vista? Que papinho caído. A moda agora é ter certeza de que a mocinha estranha é a mulher da sua vida. E sim, vai correr atrás dela de todas as formas possíveis antes que a imagem divinamente inspirada se perca em sua memória. Começa desenhando toscamente. Qualquer reconstituição da face já é muito válida, afinal nada vai se comparar ao rosto indefectível (deliraum daum daum) daquele ser reluzente que você sente que vai mudar toda sua vida. Com o rabisco feito, usa toda a habilidade online e manda ver no site em html básico. Simples mesmo, sem perder tempo. E divulga pra tudo quanto é lista, faz o mundo inteiro saber que o que você sente é forte, sincero e certo... que você deseja aquela mulher mais do que tudo na vida.

Sim, a mensagem vai chegar ao alvo, não importa onde ela esteja. E como toda boa "the one", certamente os corações vão bater forte e em sintonia no momento que todo seu esforço for reconhecido. Din don din don. Lógico que ela não tem compromisso, filhos e complicações. Claro que ela é boa de papo, cheirosa e bem-sucedida. Ah! E de perto, os dentes são inteiros, o cabelo sedoso, o corpo macio, as axilas depiladas. Linda, completa, absoluta. Esperava imaculada por você desde que se entende por gente. Seus destinos foram traçados na maternidade. Vão viver felizes para sempre. Céus...

Os rapazes agora são dotados de aptidões super humanas... eles identificam as moçoilas dos sonhos em soslaios e discernem o potencial das relações em apenas uma análise. E se jogam, investem pesado, batalham para conquistá-las sem nem conhecê-las. Fico emotiva ao ver atitudes tão transbordantes de sentimento como essa e essa.

Si si, yo creo na veracidade da busca... pero no mucho. Se eu me vestisse menos coloridamente (com peças em padrões e em paletas limitadas e bem definidas), tivesse um cabelo liso ou de cor diferente, fosse branca como a neve, usasse óculos quadrados, mais piercings (e em lugares inusitados), tatoo exclusiva ou alargador, mantivesse a coerência do estilo cult em livros, bolsas e olhar, eu estaria a um passo de ser a mulher dos sonhos dos rapazes com estes poderes especiais. Eis a receita para ganhar sites dedicados de desconhecidos, meninas: identidade visual, apenas. Observem como parecer feliz nestes momentos não é a melhor opção.


Que visual demanda mais segundos de rastreamento das informações em detalhes? O conteúdo da aparência significa muito. Se ela for indiferente, do tipo que não vê nada e ninguém ao redor, é melhor ainda. Atrai, sabe? A busca do rapaz vai ser mais arriscada, mais emocionante. Desilusão, desilusão.

Na verdade, acredito que essas historinhas fofas podem dar certo. Só espero que a moda não pegue... se não as mulheres que se vestem de palhaça como eu não poderão experimentar as porções mágicas de romances que surgem do nada, aqueles que te fazem flutuar e ouvir sininhos, degustado com doses de incerteza... e nham, muy saboroso. Ou sim.

Anyway, bendita internet.

30 de janeiro de 2009

Não posso ficar...

"E além disso mulher, tem outra coisa
Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar"
Adoniran Barbosa


Quem não é mãe não compreende a tamanha preocupação que me toma quando dá 23h30 e a filha "de férias" não voltou pra casa. Que tal ligar? Basta ser desnecessariamente apelativa em uma das chamadas que a ovelha negra parece reduzir o excesso de tempo longe da saia materna. Fechando asas automáticas, zum. Afinal de contas, minha filha, tem que cuidar... não dá pra liberar geral assim.

Vai que no meio da noite, numa cidade violenta e tão cheia de atrocidades que a capital do país tem se tornado, lá dentro daquele apartamento de família de classe média alta, entre tantos outros amigos conhecidos meus, de repente, chega um maluco atirando pra tudo quanto é lado e acaba com toda juventude cheia de vida que se divertia feliz na sala de estar. Ou pior, colocam coisas na coca-cola com limão que ela toma sempre (minha filha não suporta nem sentir o cheiro de cerveja, que dirá beber drinks coloridos e/ou destilados), ela desmaia e levam os preciosos olhos castanhos toxoplasmóticos recuperados raríssimos. Hoje em dia, tudo pode acontecer, não dá pra desprezar o potencial da criminalidade neste país. Taí nos jornais, nas revistas, na televisão...

Outro dia a vizinha comentou que aquela amiguinha, que vivia brincando de barbie com minha menina, depois de crescida virou do tipo apreciadora de pózinhos mágicos. Tô até imaginando a mocinha sugerindo que o açúcar refinado é do melhor, aromatizado, cheirinho diferente... daí minha filha, tadinha, confia muito naquele povo. Vai querer experimentar e quando perceber, pam... tá lá, no mundo das drogas, toda elétrica, vendo elefantinho rosa com bolinha verde junto com aquele povo da federal, tudo metido a artista, tudo louco, nuvem de maconha no ar, pouco banho. Já andei por aquele campus, sei bem o tipo de gente que ela esbarra nessas festinhas. E os perigos não param por aí! Duvido se o namorado também não fica procurando meios de deixá-la sem sentidos para deitar e rolar com minha pura e santa filha. Porque é só isso que homem quer: sexo. O fato é que são todos um bando de safados buscando um canto confortável e prazeroso para espalharem o sêmen pela terra. Ah, mas em sangue do meu sangue não!

Por isso eu fico doente de preocupação e não durmo enquanto ela não chega. E se for preciso, ligo até que ela estresse e volte bufando, contrariada. Porque tem 24 anos, porque é responsável e não faz besteira, porque só estava dentro de um apartamento jogando conversa fora e curtindo tempo de qualidade com os amigos que não via há tempos, porque a cidade é tranquila, porque não dá conta de viver numa bolha... e porque cansou do meu protecionismo "exacerbado". Bla, bla, bla. Eu que sei quanta maldade há nesse mundo... se exagero é porque é fato que os riscos existem. E ela vai falar que se estivesse longe não teria alguém ligando a cada 5 minutos depois da meia noite. Que sai e volta de madrugada na tal da cidade "maravilhosa" loteada pelo tráfico. Toda destemida, vai pra Lapa com amigos, aproveita a noite e volta pra casa. Não fica louca, não se droga, não é atingida por bala perdida, não dorme na casa dos outros, não leva rapazes pra casa e não, não tem ninguém gritando no pé da orelha pra que não invente situação no meio da rua e volte logo pra casa. Como pode, né? O pior é que ela tá inteirona mesmo. Acho que ela ouve minha voz conselheira nestes momentos. Creio que consegui programar o comportamento a distância. Ou talvez ela tenha crescido e se tornado uma mulherzinha ajuizada. Humm... melhor não confiar muito. Vou ligar de novo... já faz 1 hora que ela disse que estava voltando.

Não entendo mesmo. Acho palha (no melhor linguajar brasiliense) não poder voar no canto que mais conheço bem. E como tenho adiado o sonho de ser mãe nos últimos tempos (¬¬), eu só me esforço pra tentar enxergar amor no cuidado excessivo. E ops, acho que tô ouvindo o lar carioca chamar...

Quaiscalingudum,
Quaisgudum, tchau!

5 de janeiro de 2009

Balanço LPH 2008

"Whatever tomorrow brings I'll be there
With open arms and open eyes"
Incubus

Sem esse papinho que 2008 foi o ano da minha vida e tal... o ano anterior a este foi tão intenso quanto, mas com momentos tão distintos que a comparação não é válida. Já que quem passa por aqui conhece meus caminhos dos últimos tempos, prefiro não ser redundante e cair na chatice extrema do ser escrevendo retrospectiva detalhada. Sem delongas, entonces. Listinha dos mais mais:
*Embora criptografada, acredito que o público-alvo vai compreender. Questionamentos nos comentários ou in private, please.

O grande aprendizado: desconhecidos podem ser boas pessoas. Ou loucas e más. Se tiver que morar com estranhos, conte com a sorte.
O maior mico: exposição de partes indevidas da figura em público.
A
vergonha alheia: "fálico" para designar cheio de falhas.
A leseira mais tchusb: não levar a identidade na carteira.
A cantada mais nojenta e desprezível: "tesuda".
A declaração mais tosca: "não gosto de você como você acha que eu gosto, but nice boobs".
A tempestade raivosa melhor contida:
barraco no ônibus.
A compra mais impulsiva:
cavaquinho.
A aquisição mais útil: Watashino rimi.
A perda material mais lastimosa: musiquinhas portáteis.
O trabalho mais divertido:
ser blogueira.
A concentração de esforços mais cansativa: ser blogueira.
O filho mais champion:
HP Spot.
A criação menina dos olhos:
Filó.
A paixão cultivada (e crescente):
animação.
O motivo-mor dos chororôs: saudade.
A maior saudade: pacote família (regalias do doce lar e amigos da ilha inclusos).
O querer mais frequente:
abraço demorado.
O conhecimento mais proveitoso:
de gente.
A grande descoberta: há (muita) vida além do meu umbigo, de quartinhos minúsculos, da casa dos pais, da capital, do país, do mundo e do planeta (and I really mean it).
O achado: o ponto vermelho.
A super benção: a internet.
A estação bem vivida:
primavera.
O mês intenso: outubro.
As cores: verde e azul (com pitadas de amarelo e cinza).
O elemento: água.
O espaço: céu.
O gosto: cítrico.
A sensação: maciez.
As maiores emoções:
nos imprevistos.
A frase genial:
"Já estava assim quando cheguei", do Homer.
Os versos inspiradores:
"Não faças de ti um sonho a realizar. Vai.", da Cecília.
As músicas-tema:
Drive, Incubus; Dare you to move, Switchfoot; Diz que fui por aí e Descansa coração, com Fernanda Takai; Solidão, Tom Zé; Borboletas, Luciana Melo; Liberdade, Camelo; Ópio, Zeca Baleiro; Eu sei, Legião Urbana...
A conquista:
abrir asas.
O sentimento minim
izado: medo.
O prazer: fazer acontecer.
A vitória: concretização de sonhos.
A máxima: se joga!

Que 2009 seja tão emocionante e surpreendente quanto 2008. Com menos futuros do pretérito e doses do muito positivo em tudo. Quero mais. Adoro anos decisivos (viva o frio na barriga com vento na cara... iei!).

Se isso for bom pra você também, fica aí na mesma vibe. E ousadia para por as mãos no novo caderninho cheio de páginas em branco assustador. Compra nanquim, recorta umas paradas legais dos papéis que você junta, recupera os lápis de cor encostados, pinga umas tintas e desenha um bocado. Arrisca, sabe? Usa essas coisinhas aí que você acumulou até agora pra criar algo que encha de alegria por ser brand new e único. E que cada dia seja intenso e feliz, na medida do (im)possível.

Stay beautiful.

Sucesso pra nós! =]