10 de novembro de 2008

Adocica, meu amor, a minha vida ô


Ela passou a semana toda desejando mel. Todo dia cedo picotava a banana no pote, jogava a granola e o leite. Faltava doce, não tipo açúcar. Queria mel.

Depois que a gente passa por uma mudança radical, parece comum perder o contato com alguns chegados. Tudo bem que tem uma galera que começa a sentir saudade só de saber que você não tá ali acessível a qualquer momento, porque, whatever, foi sempre tão difícil achar horário em comum para fazer as coisas acontecerem. É o típico "só aprende a dar valor depois que perde" super clichê, porém fato. Também existem aqueles com quem fazia questão de esbarrar sempre. Estes não resistem ver o "online" e fazem questão de cumprimentar correndo, mesmo que esteja super ocupado e saiba que você também vive na mesma condição. É tipo aquele povo que você encontra no Parkshopping durante as compras enlouquecedoras de fim de ano, só dá um abraço e comenta "cara, que saudade, vamos combinar de dar um passeio qualquer dia desses?". Não, não precisa encontrar depois não. Você não vai ligar, a pessoa também não, e ambos sabem muito bem disso. O "bom te ver" sincero, às vezes, já satisfaz.

Depois do Orkut, sempre rolam demonstrações de afeto muito fofas durante 3 semanas consecutivas na minha vida. É tipo a época de estocar todos os bons desejos e ótimas sensações, momento de se sentir amada em excesso e absorver tudo quanto é coisa boa que falam. Daí, em outubro eu começo a racionar o nível de auto-estima adquirido no começo do ano. Por isso, tende a ser um mês cinza com bege... só foi colorido este ano, não só pelo toque especial de alguns bons imprevistos, mas talvez porque na virada de 2007 para 2008 foram exageradas 5 semanas de bons desejos: Natal, Ano Novo, aniversário e duas semanas de despedidas. Deu para lotar o estoque emocional, responsável pelo sorriso na cara hoje, mesmo sem ter saído ontem por falta de companhia, mesmo sozinha na tarde de domingo conversando com o computador. É nessas horas que a gente começa a sentir um aperto e passa a enxergar as pessoas que "deixamos" em tudo. No carinha do shopping, na árvore da lagoa, no quadrinho novo, na música melancólica, no tempo de sol ou de chuva, na comida japonesa...

Alguns laços nas nossas vidas não se desfazem com a distância. Sinto falta dos happy hours das sextas, dos almoços no Burger King, das festinhas bombantes (ou não), dos programas de índio em baladas de teenagers, das tardes de pipocas e filmes, dos lanches gordurosos no último suspiro do domingo, dos eventos culturais nos quais as companhias eram arrastadas. Eu sei que o "tempo bom que não volta mais" tende a ficar só na lembrança mesmo (tchusb!)... mas quero muito preservar aqui em mim a presença de vocês. Por mais que a tendência seja ela diminuir a medida que a gente cresce.

Sabe quando cai a ficha que quem cuida do seu narizinho é você? É, jovem gafanhoto. Não vai ter multidão de conselheiros para te ajudar a definir o rumo. Para chegar ao final do trajeto você aproveita 15 das suas 574 conexões virtuais, e é assim que você se descobre como indivíduo, sozinho na real. Não vai ter ninguém para dizer se está certo ou errado. Você não é quadrada, se vira. Descobre você mesma. As coisas começam a fazer mais sentido e o frio na barriga pelas escolhas passa a dominar o corpo inteiro. É tenso, mas faz parte.

E ela conseguiu achar nas Americanas o pote de mel (olhos brilhando como Pooh). Do tipo bom e barato: perfeito! Juntou com as barras de cereais salvadoras, pagou a conta enquanto negava o cartão da loja pela vigésima vez. Voltou para casa de ônibus, jogou as compras na mesa, jogou-se na cama. Percebeu que queria descansar de verdade e decidiu organizar as coisas. Nham nham nham, agora eu tenho... cara, cadê meu mel?
Não tenho idéia de onde foi parar. Será que ficou por lá ou se perdeu no caminho? Grande boxta. Ok, ok. Let's Pollyana... foram apenas 5 pilas pro espaço. Ai ai... passou. Tranquila e serena? Sorria. =]

Ainda bem que eu sou forte e grande. Vou ter que sobreviver mais alguns dias sem mel.

Um comentário:

leylelis disse...

E a pitsena virou mulherzinha :).

A gente percebe que cresce quando, em vez de um burger, nossas preocupações diárias são com o mel e cereais.

Ah sim, pode somar meu contato virtual nessa sua relação de 15 conexões virtuais úteis. Você sabe, é só chamar.

Um beijo e uma saudade grande.