22 de setembro de 2008

Sopra em mim


No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas

que o vento não conseguiu levar:

um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...

Mário Quintana


Vontade de sentir carinho de gente que desde o ventre já cuidava tão bem. De poder encorajar antes e depois da entrevista de estágio. De acompanhar a construção de uma casa ou a barriga que cresce. De fazer macacada no meio da sala, pulando e dançando que nem louca o tumts tumts da rádio, com o vestido florido brega. E espreguiçar do sofá ao chão, depois de se empaturrar de pipoca ou de brigadeiro branco e preto. Brincar com o violão na rede, tomando aquele solzinho gostoso, após o churrasco de domingo, com a casa cheia e muita louça pra lavar. E se irritar com a bagunça dos cachorros, com a internet que falha, com a casa... que casa fria. E que tempo seco que não acaba nunca, meo deos! Dá-lhe soro no nariz, colírio e todas as frescuras do pacote anti-alérgico. Até começar a chuva de novo, pra deixar tudo bem molhado. E ser forçada a se empacotar debaixo dos edredons assistindo qualquer desenho pela trigésima nona vez, no sofá cheio... junta mais, apertadinho esquenta mais rápido. Que poxa de tempo que não deixa a gente sair de casa... Ou não.

Passa vento... leva os pensamentos ruins pra bem longe, aqueles que enchem o coração de medo e nos fazem acomodar. E deixa aqui comigo essas sensações únicas, tão leves e gostosas.

Ah, saudades.


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