1 de dezembro de 2008

Por bons tempos infinitos

if you’re going to try, go all the way.
otherwise, don’t even start.

if you’re going to try, go all the way.
this could mean losing girlfriends, wives, relatives, jobs and
maybe your mind.

(...)

you will ride life straight to
perfect laughter, its
the only good fight
there is.

Roll the dice - Bukowski


Uma das lembrancinhas que trouxe dos candangos comigo foi um relógio super fashion... demorou pra comprar a pilha certa do negócio, mas assim que pude, pus pra funcionar. Semana passada, tive dificuldade para dormir. Daí a cabeça doía e o time num tick tick ticking away eterno. Mas gente, que tempo é esse que precisa ser tão contadinho? Eu só queria dormir, ficar de bowa, sem lembrar de que cedo estaria novamente no batente, com ou sem dorzinha. Induzi um coma no relógio e guardei-o no guarda-roupa. É lindo, amiga, mas em outro momento o coloco em atividade novamente.

Daí me lembrei dos outros companheiros que foram pro armário em prol do bom sono. O primeiro coração de pelúcia era grande. Tinha braços gigantes, era macio... mas invadiu demais meu espaço na cama. Depois que a paixonite passou, foi pro armário, sem dó nem piedade. O segundo dormia na cama ao lado e aguentou até muito tempo, eu acho. Como a experiência anterior de compartilhamento de colchão não tinha sido muito positiva, melhor que certa distância fosse mantida, pelo menos entre a pelúcia e eu. Acabou que nos aproximamos tanto que, se duvidar, ele ainda está lá, sobre o teclado empacotado, fazendo graça como decoração de cama vazia. Em outros tempos, ambos corações mereceram um conto especial. Hoje, é suficiente que eu reafirme minha posição em defesa da teoria: corações de pelúcia preferem armários. Eles têm o privilégio de dormir em meus braços até que a alergia reclame. A resistência imunológica é proporcional a intensidade do envolvimento.

Este ano ganhei uma margarida. Um pouco aleatória, eu diria. A cama é grande aqui, mas eu criei uma aversão chata a esta flor de pelúcia. Ela nunca dormiu comigo, nem ficou na cama por mais de 2 semanas. Só de olhar, meu nariz coça. Mas por ter sido bem intencionada desde o princípio, ainda recebe um cafuné vez ou outra, só para manter o contato.

Que fique bem claro: não sou contra pelúcias. Sou espaçosa, gosto de garantir meu canto confortável. E mais do que isso, dormir bem é essencial. Coisa que nenhum destes presentes permitiu, em algum momento. Se atrapalha muito, a gente vai lá e resolve, não é mesmo? Até o relógio, tadinho... não tinha muito a ver ser colocado no armário. Mas a atitude foi necessária. Descobri uma crise com dimensão maior. DR com o tick tack proposta.

Não quero ter que contar o tempo. Quero minha cabeça aqui com o resto do meu corpo, tudo junto num canto só, pelo tempo que for preciso. O coração pode ser picotadinho, loteado entre os queridos, mas também precisa estar comigo. Propriedade minha, eu gerencio. "Não se afobe não, que nada é pra já", cantaria meu tio. E eu, como mocinha impaciente e inquieta que sou, considero um martírio ter que me submeter às esperas eternas. Ajuste de foco: se for para aguardar algo, que eu o faça sem desprezar o potencial do agora.

Sabe o tal do carpe diem? Carpe (it) omnia. All the way.
Porque o quase incomoda, mais ou menos não vale a pena, morno dá ânsia.

Sinto que preciso viver melhor meu presente. Por isso, tempo e eu entramos num acordo: vamos colorir "hojes". Uhuhu!

13 de novembro de 2008

Desabafo

Antes de tudo, destrisca.
Tira essas suas mãos sujas de mim.
E vai baixando a guarda... não vem com essa de aliviar todo o stress que você acumulou durante o dia na mocinha com cara de indefesa. Não me importa se sua cabeça tá estourando ou se te destituíram de um cargo mais elevado para te colocarem aí. Aceita a condição e aprende a servir E respeitar as pessoas direito. Estão te pagando para isso. Não, também não quero saber se seu pagamento ainda não saiu. É mais 2,1o que você quer? Toma. Sabe onde enfiar ou quer que eu desenhe? E que fique bem claro que toda sua falta de inteligência para manejar essa situação simples é o que vai te prender nesta cadeira pro resto da vida. Não que você seja menos que eu, mas a sua ignorância já é eficiente o bastante para não te fazer um ser melhor em todos os sentidos.
Desnecessário.
Ah, e eu não sou sua filha, nem vou pro inferno... com certeza.
Idiota.



Pronto, falei.
A-Livia-da. Passou.

10 de novembro de 2008

Adocica, meu amor, a minha vida ô


Ela passou a semana toda desejando mel. Todo dia cedo picotava a banana no pote, jogava a granola e o leite. Faltava doce, não tipo açúcar. Queria mel.

Depois que a gente passa por uma mudança radical, parece comum perder o contato com alguns chegados. Tudo bem que tem uma galera que começa a sentir saudade só de saber que você não tá ali acessível a qualquer momento, porque, whatever, foi sempre tão difícil achar horário em comum para fazer as coisas acontecerem. É o típico "só aprende a dar valor depois que perde" super clichê, porém fato. Também existem aqueles com quem fazia questão de esbarrar sempre. Estes não resistem ver o "online" e fazem questão de cumprimentar correndo, mesmo que esteja super ocupado e saiba que você também vive na mesma condição. É tipo aquele povo que você encontra no Parkshopping durante as compras enlouquecedoras de fim de ano, só dá um abraço e comenta "cara, que saudade, vamos combinar de dar um passeio qualquer dia desses?". Não, não precisa encontrar depois não. Você não vai ligar, a pessoa também não, e ambos sabem muito bem disso. O "bom te ver" sincero, às vezes, já satisfaz.

Depois do Orkut, sempre rolam demonstrações de afeto muito fofas durante 3 semanas consecutivas na minha vida. É tipo a época de estocar todos os bons desejos e ótimas sensações, momento de se sentir amada em excesso e absorver tudo quanto é coisa boa que falam. Daí, em outubro eu começo a racionar o nível de auto-estima adquirido no começo do ano. Por isso, tende a ser um mês cinza com bege... só foi colorido este ano, não só pelo toque especial de alguns bons imprevistos, mas talvez porque na virada de 2007 para 2008 foram exageradas 5 semanas de bons desejos: Natal, Ano Novo, aniversário e duas semanas de despedidas. Deu para lotar o estoque emocional, responsável pelo sorriso na cara hoje, mesmo sem ter saído ontem por falta de companhia, mesmo sozinha na tarde de domingo conversando com o computador. É nessas horas que a gente começa a sentir um aperto e passa a enxergar as pessoas que "deixamos" em tudo. No carinha do shopping, na árvore da lagoa, no quadrinho novo, na música melancólica, no tempo de sol ou de chuva, na comida japonesa...

Alguns laços nas nossas vidas não se desfazem com a distância. Sinto falta dos happy hours das sextas, dos almoços no Burger King, das festinhas bombantes (ou não), dos programas de índio em baladas de teenagers, das tardes de pipocas e filmes, dos lanches gordurosos no último suspiro do domingo, dos eventos culturais nos quais as companhias eram arrastadas. Eu sei que o "tempo bom que não volta mais" tende a ficar só na lembrança mesmo (tchusb!)... mas quero muito preservar aqui em mim a presença de vocês. Por mais que a tendência seja ela diminuir a medida que a gente cresce.

Sabe quando cai a ficha que quem cuida do seu narizinho é você? É, jovem gafanhoto. Não vai ter multidão de conselheiros para te ajudar a definir o rumo. Para chegar ao final do trajeto você aproveita 15 das suas 574 conexões virtuais, e é assim que você se descobre como indivíduo, sozinho na real. Não vai ter ninguém para dizer se está certo ou errado. Você não é quadrada, se vira. Descobre você mesma. As coisas começam a fazer mais sentido e o frio na barriga pelas escolhas passa a dominar o corpo inteiro. É tenso, mas faz parte.

E ela conseguiu achar nas Americanas o pote de mel (olhos brilhando como Pooh). Do tipo bom e barato: perfeito! Juntou com as barras de cereais salvadoras, pagou a conta enquanto negava o cartão da loja pela vigésima vez. Voltou para casa de ônibus, jogou as compras na mesa, jogou-se na cama. Percebeu que queria descansar de verdade e decidiu organizar as coisas. Nham nham nham, agora eu tenho... cara, cadê meu mel?
Não tenho idéia de onde foi parar. Será que ficou por lá ou se perdeu no caminho? Grande boxta. Ok, ok. Let's Pollyana... foram apenas 5 pilas pro espaço. Ai ai... passou. Tranquila e serena? Sorria. =]

Ainda bem que eu sou forte e grande. Vou ter que sobreviver mais alguns dias sem mel.

23 de outubro de 2008

Suspiro

Eu contaria a historinha do pontinho magenta que deixou o planeta azul para se aventurar no vácuo colorido e depois de alguns anos intergalácticos reparou que um ponto, não tão pequenino, avermelhado (daqueles que não passam desapercebido a vista de ponto nenhum) começou a saltitar no mundão azul. Chamou tanta atenção que sacudiu o magenta e o imenso vazio.

Mas na verdade, eu só quero registrar como é estranho viver num planeta cinza, querer sentir férias constantes no verde, e desejar o ponto vermelho do azul. Mais do que isso: ter a impressão que o tempo de pertencer a um planeta só está próximo, embora não se faça a mínima idéia da preferência de cor.

Que surjam os imprevistos lindos todos para que tudo seja emocionante e intenso. E que venha com bolo de milho sem farinha, alívio de stress pela simples presença, medo de barata, banho de chuva com ai ai ais, andanças sem cansaço, caminho para o fim do mundo sonolento e bons sonhos, realidade, sonhos, realidade. Estranhamente natural. Macio e cheiroso. Morde minha boca? Muita leveza e alguma certeza... vontade. Saudade assim faz doer e amarga que nem jiló. Distante, mas sentindo a respiração forte ao ouvido... fica comigo?

Quero como "a um cachorrinho verde" do Quintana.

Meant to be.

2 de outubro de 2008

Dare you to move

"Se o amor leva à felicidade,
se leva à morte,
se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo…
Não faças de ti um sonho a realizar.
Vai."

Clarice Lispector



Vou sim sim!
Como se fosse forte, como se fosse grande...
Às vezes me dou conta que passei de menina sonhadora a uma mulherzinha realizadora.
Mas não deixei de ser as duas numa só. E mais um tantão de outras Livias também.

E, quer saber? Me jogo mesmo nessa poxa! uhuhu.

Algo me diz, aqui dentro, lá no mais profundo âmago do meu ser, que viemos ao mundo para nos divertir. E enquanto eu consigo escutar essa vozinha baixinha, quase um murmúrio, tenho que aproveitar e topar a proposta. Deal!

So, let's just enjoy it!
:o)


Yukon Ho, Mari!

22 de setembro de 2008

Sopra em mim


No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas

que o vento não conseguiu levar:

um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...

Mário Quintana


Vontade de sentir carinho de gente que desde o ventre já cuidava tão bem. De poder encorajar antes e depois da entrevista de estágio. De acompanhar a construção de uma casa ou a barriga que cresce. De fazer macacada no meio da sala, pulando e dançando que nem louca o tumts tumts da rádio, com o vestido florido brega. E espreguiçar do sofá ao chão, depois de se empaturrar de pipoca ou de brigadeiro branco e preto. Brincar com o violão na rede, tomando aquele solzinho gostoso, após o churrasco de domingo, com a casa cheia e muita louça pra lavar. E se irritar com a bagunça dos cachorros, com a internet que falha, com a casa... que casa fria. E que tempo seco que não acaba nunca, meo deos! Dá-lhe soro no nariz, colírio e todas as frescuras do pacote anti-alérgico. Até começar a chuva de novo, pra deixar tudo bem molhado. E ser forçada a se empacotar debaixo dos edredons assistindo qualquer desenho pela trigésima nona vez, no sofá cheio... junta mais, apertadinho esquenta mais rápido. Que poxa de tempo que não deixa a gente sair de casa... Ou não.

Passa vento... leva os pensamentos ruins pra bem longe, aqueles que enchem o coração de medo e nos fazem acomodar. E deixa aqui comigo essas sensações únicas, tão leves e gostosas.

Ah, saudades.


4 de setembro de 2008

Um brinde ao semestre


"... tudo que pode ser imaginado pode ser sonhado, mas mesmo o mais inesperado dos sonhos é um quebra-cabeça que esconde um desejo, ou então
seu oposto, um medo. As cidades, como os sonhos, são construídas por desejos e medos, ainda que o fio condutor de seu discurso seja secreto, que as suas regras sejam absurdas, as suas perspectivas enganosas, que todas as coisas escondam uma outra coisa. (...) De uma cidade não aproveitamos suas 7 ou 70 maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas."
As cidades invisíveis - Ítalo Calvino



[aperta play aê!]

Hoje completo 6 meses no Rio: iei! Contabilizando, sou quase uma carioca: já senti a emoção de ver o flamengo jogando no Maraca, fui assaltada ao meio dia do domingo num bairro nobre, fui ao chão (chão chão chão!) pra não ser a achada por balas num tiroteio da favela próxima, as ondas já levaram parte do meu biquiní (e continuam a me levar quase sempre, lógico), já comprei um cavaquinho querendo me tornar uma chorista da Lapa, fui a shows muito bons pagando quase nada, virei uma atleta do remo, me acostumei a fazer fotossíntese em Ipanema regada a matte e bixcoito grobo, esbarrei em celebridades sem tietar (ok, isso tem que exercitar, não é fácil pra quem é da roça cruzar com Pedro Cardoso e Camila Pitanga sem querer apertar a mão e dizer "cara, sou sua fã"), aprendi a falar "surreal" e "caído" como um ser daqui (só não dá pra forçar nox ixquemas sinixtros, e variações chiadas demais... sou brasiliense demais pra me render a isso), contemplei autênticos meninos do Rio que "morreriam fácil" (mas não matei nenhum da espécie), conheci muita gente malandra, muita gente prepotente (do tipo "ô minha filha" de ser), e muita gente boa de verdade, identifiquei família Bras-ilha e fiz deles os meus heróis, curti ó-te-mas nights cariocas sempre que possível e, ao ver o Cristo se escondendo nas nuvens pela minha janela, fui ao shopping (como todo carioca que vira candango em tempos chuvosos) ou simplesmente não sai das cobertas.

E ainda vou curtir asa delta da pedra da Gávea, fazer trilha no Pão de Açúcar, dar a volta completa correndo na Lagoa, ter aulas de circo e música (não dá pra aprender cavaquinho por osmose), dominar as ondas, brincar de ser animadora de verdade e... ai ai. Os projetos cresceram e as idéias estão fervilhando.

O fato é que existe mais um bocado de coisas que quero fazer antes de deixar essa cidade. Sim, ir embora. Isso mesmo, não quero ficar... Tudo bem que estou numa fase meio tensa, mas não acredito que essa vontade de me sentir segura vai passar. E sério, não quero e nem vou me acostumar com isso. Acho que quem já viveu tranquilo e sereno vai concordar: a cidade é maravilhosa, mas está longe de ser um bom lugar pra se levar a vida. Não pela saudade gigante que me bate sempre que passo muito tempo sem falar com a família direito, muito menos por não ter ainda aquele ombro familiar pra encostar e chorar tudo que acumula mensalmente... A falta disso no dia-a-dia é punk de aguentar, mas acho que dei uma crescidinha considerável durante esses seis meses e sei que tenho força (e uma reserva de chocolate na gaveta) pra me manter sem essas regalias. E com'on: internet é coisa linda de Deooos! Ameniza muito.

O problema é aquilo que todo carioca assume: não sei se há jeito pra essa violência gratuita e constante. Eu ainda acho bizarro considerar arrastão uma coisa normal. Ah, fala sério... isso não acontece na minha terra não. E tenho certeza que em muitas outras também não! Em pensar que isso é só uma manifestação leve das paradas estranhíssimas que acontecem aqui. Não, amiguinho, eu acredito que você tá armado, pode levar. Eu, definitivamente, não quero pagar pra ver... Quero continuar realizando meus sonhos e acredito que o Rio vai ser só uma ponte pra me levar a lugares mais interessantes. Daquelas pontes lindíssimas, toda enfeitada e cheia de beleza natural, gente bonita e música boa, mas que esconde, ali no cantinho, um ser mal-resolvido que observa esperando um momento de distração. C'est bizarre!

Apesar dos pesares, tô feliz. Sou grata a Deus pelo sustento e provisão até aqui... no geral, o Rio me acolhe bem e já é uns 3 capítulos bem especiais da história da minha vida. Vai render mais, eu sei.

Mas chega de tagarelar. Eu tenho planos de futuro, do A ao Z, e não pretendo compartilhar. Essa listinha tem crescido indefinidamente e o elemento surpresa continua sendo o que há de mais atraente em toda boa história. Tem tanta coisa curiosa e inesperada acontecendo que eu não faço a mínima idéia do que vai ser de mim daqui há 2 meses. Eu sei que vai dar certo... isso me aLivia. :o)

Muito obrigada a todos queridos que estão acompanhando e torcendo a distância. Cada dia eu descubro em mim partes de muitos de vocês... Amo demais e sinto saudades sinceras.

Tim tim!

14 de agosto de 2008

Quadrilha

"João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história."

Vai entender Drummond...
Lili até casa no final da história!

Ufa.